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sábado, 28 de abril de 2018

Enquanto bancos faturam, investimento público cai a 1,17% do PIB - menor nível em 50 anos



Duas manchetes do Estadão desta sexta-feira (27) sintetizam bem o Brasil de hoje, com aprofundamento evidente das desigualdades sociais e concentração crescente de renda. 
Uma destaca que o investimento público no país caiu ao menor patamar dos últimos 50 anos e ficou em 1,17% do Produto Interno Bruto (PIB). A outra registra lucro recorde do banco Bradesco no último trimestre, que atingiu 5,1 bi, ao mesmo tempo que as concessões de crédito da instituição recuaram e as demissões cresceram, com 10 mil demitidos em 12 meses.
A notícia sobre o Bradesco se segue a outras que mostram lucros bilionários de outras instituições, como o Itaú, a Caixa e o Santander. 
Para Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, os números revelam a incoerência na política adotada pelas organizações financeiras, sobretudo diante do cenário de crise econômica. 
"Os bancos formam o setor que continua a lucrar bilhões, mesmo com o quadro de recessão no país. Tinham que ajudar o Brasil a sair da crise, com oferta de empregos e redução dos juros aos clientes. Mas, fazem o contrário", diz ele.
Enquanto isso, o nível de investimento público segue em queda. Segundo reportagem do jornal, a situação é tão grave que, no ano passado, o dinheiro aplicado pelos três níveis de governo não foi suficiente sequer para garantir a conservação de estradas, prédios e equipamentos que pertencem ao poder público.
Com consequências drásticas também para os serviços de saúde, educação e segurança públicas.
A série histórica dos investimentos feita pelos economistas Rodrigo Orair e Sergio Gobetti, do Ipea, indica que, antes de 2017, os episódios de menor investimento público foram registrados em 1999 e 2003, quando atingiram cerca de 1,5% do PIB, mas logo voltaram a crescer. 
Cardápio indigesto
Desde 2015, no entanto, há um declínio crescente dos investimentos. De acordo com o próprio jornal, que tanto apoiou o golpe de 2016 e encampou a tese do programa de governo de Temer, Uma ponte para o futuro, "a queda dos investimentos públicos vai na contramão do que prometeu o presidente Michel Temer. A estratégia apresentada, no início do atual governo, incluía também o aumento dos investimentos públicos e parcerias com a iniciativa privada".
O diriigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) Nivaldo Santana pondera que, passados dois anos do impeachment da presidenta Dilma, o Brasil vive retrocessos em todos os terrenos, e a diminuição dos investimentos públicos é mais um elemento do "cardápio indigesto" imposto pelo atual governo:
"A agenda ultraliberal e neocolonial do governo ilegítimo adotou o teto para os gastos públicos para os próximos 20 anos, a terceirização irrestrita e a reforma trabalhista. O resultado está à mostra: o Brasil conta com mais de 12 milhões de desempregados, 26 milhões de subempregados, retração da massa salarial e drástica diminuição dos direitos".
fonte: portalctb.org

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