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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

"Lava Jato atacou e destruiu as bases do direito brasileiro", diz Jessé Souza

Professor da Universidade Federal Fluminense, com doutorado em Heidelberg, na Alemanha, e pós-doutorado na New School for Social Research, nos Estados Unidos, o sociólogo Jessé Souza, 56, acaba de publicar "A Radiografia do Golpe" (Leya), livro em que condena as articulações que levaram ao afastamento de Dilma Rousseff. Em entrevista ao colunista da Folha Marcelo Coelho, ele apresenta os pontos principais de sua análise.
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Folha - Que fatores, a seu ver, determinaram o afastamento de Dilma Rousseff?
Em primeiro lugar, os interesses na manutenção de um rentismo perverso, que significa uma rapina sobre o resto da sociedade em benefício de poucos. A presidenta decidiu atacar o rentismo reduzindo os juros. Quis romper a política de compromisso de Lula e perdeu a batalha.
A partir daí, a elite econômica –com seus dois braços, o Congresso comprado e a grande imprensa sócia da rapina– criou uma base social conservadora junto à fração da alta classe média, parte dela com interesses no rentismo e outra parte receosa com a ascensão social dos pobres. Apropriou-se da narrativa das "jornadas de Junho", distorcendo o sentido das manifestações e federalizando pautas locais.
Essa foi uma das principais novidades em relação ao mensalão: uma fração social desde sempre conservadora e sempre vencida no voto, foi apresentada pela manipulação televisiva como o "povo nas ruas".

PRINCÍPIOS 143: “Da resistência a esperança renascerá!”

Nesta entrevista a Princípios, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, defende que o acúmulo de força política e cultural que vem do combate à ditadura militar, e se funde com a consciência e as experiências de luta das gerações das últimas décadas, tende a crescer e a se alargar no processo de resistência ao golpe consumado em 31 de agosto.



Para o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, o acúmulo de força política e cultural que vem do combate à ditadura militar, e se funde com a consciência e as experiências de luta das gerações das últimas décadas, tende a crescer e a se alargar no processo de resistência ao golpe consumado em 31 de agosto. Nesta entrevista a Princípios, ele faz um diagnóstico do impeachment fraudulento contra a presidenta Dilma Rousseff e aponta o objetivo dos golpistas, centrado no desmonte do pacto de progresso social estabelecido com a Constituição de 1988, na volta das privatizações e da desnacionalização, no realinhamento com as grandes potências, na negação da integração da região continental e das parcerias estratégicas fora da órbita imperialista. E aposta no potencial aglutinador e mobilizador da bandeira da antecipação das novas eleições presidenciais diretas.
Confira, a seguir, a íntegra da entrevista:

Sindicato dos Jornalistas: É grave a crise no nosso Sindicato


Companheiros jornalistas,
A grave situação financeira do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro foi motivo de debate durante a campanha eleitoral deste ano. Todos já sabiam, com base em informações da própria gestão que encerrava seu mandato, que nossa entidade sindical estava literalmente quebrada. Mas o quadro enfrentado pela nova Diretoria em seu primeiro mês de atuação mostrou-se bem mais sério – dramático mesmo.

Assumimos a direção do Sindicato em 26 de agosto. Nesse mesmo dia foram pagos, ainda pela gestão que terminava o mandato, os salários dos funcionários referentes à segunda quinzena do mês – algo em torno de R$ 9.200,00. A partir desse pagamento começamos a viver o drama de uma entidade em situação pré-falimentar, pois as contas bancárias ficaram praticamente zeradas.

A situação é tão crítica, que não houve recursos em caixa para o envio, pelo Correio, dos boletos das mensalidades com vencimento em 15 de setembro. A entidade solicitou – e permanece solicitando - que os colegas jornalistas fizessem um esforço para que esse pagamento seja realizado nas dependências do Sindicato, através de depósito em caixa eletrônico ou por meio de transferência entre contas.

Veja como:

terça-feira, 27 de setembro de 2016

CTB-RJ DENUNCIA GOLPE NA EDUCAÇÃO



A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro, através da presente nota, denuncia, ao conjunto da sociedade carioca e fluminense, mais uma atitude golpista do governo ilegítimo de Michel Temer. A vítima do golpe, dessa vez, são os profissionais da educação e o futuro de milhões de jovens com a autoritária edição da MP do Ensino Médio.
A MP, imposta sem debate algum com a sociedade brasileira, pretende impor reforma no setor. Reforma essa que se apresenta de forma a representar um enorme prejuízo e retrocesso para a educação nacional. O projeto reapresenta a visão de que os filhos da classe trabalhadora só devem estudar o suficiente para se manter razoavelmente no mercado de trabalho ao reduzir o conteúdo comum e colocar em xeque disciplinas fundamentais para a formação do cidadão como Artes, Filosofia, Sociologia e Educação Física.
O aumento da carga horária, que podia ser visto com uma medida positiva, não vem acompanhado de investimento em infraestutura e na formação dos profissionais tornando-se uma medida completamente inócua. O fim da exigência da licenciatura abre caminho para precarizar ainda mais o processo da educação e também aponta a falta de preocupação do governo golpista com a formação dos estudantes.
Como se não bastasse tudo isso, essa medida promovida pelo governo ilegítimo é feita sem nenhum debate com a sociedade, imposta através de uma medida provisória, para pagar o apoio das instituições privadas de ensino deram ao golpe. Instituir ensino a distancia no sistema regular do ensino médio será um desastre para a juventude e para os profissionais de educação. Para os tubarões do ensino, um paraíso.
Nós, militantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, não aceitaremos passivamente esse profundo golpe na educação e chamamos todos os trabalhadores e trabalhadoras de nosso estado para enfrentar o desmonte da educação pública e todos os projetos apoiados pelo governo golpista que atacam a educação dos nossos jovens.

Em defesa da Educação Pública e de Qualidade!
Em defesa da Democracia!                                                    
Fora Temer! Diretas Já!

Ronaldo Leite
Presidente da CTB-RJ

sábado, 24 de setembro de 2016

Muito além do currículo flexível

O presidente Michel Temer e o ministro da Educação Mendonça Filho apresentaram nesta quinta-feira (22) a Medida Provisória (MP) com uma nova proposta de Ensino Médio. A MP alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica (LDB), de 1996, e suscitou a preocupação dos professores diante das mudanças na configuração curricular. Uma semana antes, o ministro já havia anunciado o modelo em linhas gerais e expôs que a urgência do governo está diretamente ligada aos resultados do Ensino Médio no Ideb. Agora, o texto confirma, entre outras mudanças, a instituição do ensino médio em tempo integral, com ampliação da carga horária de 800 para 1400 horas e a flexibilização do currículo, que passa a ser composto por menos áreas do conhecimento obrigatórias e por atividades de formação técnica e profissional à escolha do estudante.
Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, apesar de citar o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a MP é totalmente dissonante das discussões atuais sobre o Ensino Médio. “Discorda dos debates da Conferência Nacional de Educação e das melhores pesquisas sobre essa etapa feitas aqui e no mundo, que dizem basicamente que uma reforma do ensino médio feita sem envolver alunos e professores tem enormes chances de dar errado”, afirma.
A pesquisadora Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, concorda. Para ela, nenhuma reforma educacional deve ser feita via Medida Provisória. “Causa estranhamento uma MP para isso, sem envolver a discussão de vários atores, principalmente porque sabemos que um plano de reformulação da educação é tão importante quanto sua implementação, que, se não for cuidadosa e não incluir todos, fica no papel”, analisa.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Reforma do Ensino Médio, por Gaudêncio Frigotto

 *Gaudêncio Frigotto*

 A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica.

 Os proponentes da reforma, especialistas analfabetos sociais e doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, são por sua estreiteza de pensamento e por condição de classe, incapazes de entender o que significa educação básica. E o que é pior, se entende não a querem para todos.

 Com efeito, por rezarem e serem co-autores da cartilha dos intelectuais do Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, etc., seus compromissos não são com direito universal à educação básica, pois a consideram um serviço que tem que se ajustar às demandas do mercado. Este, uma espécie de um deus que define quem merece ser por ele considerado num tempo histórico de desemprego estrutural.  O ajuste ou a austeridade que se aplica à classe trabalhadora brasileira, da cidade e do campo, pelas reformas da previdência, reforma trabalhista e congelamento por vinte anos na ampliação do investimento na educação e saúde públicas, tem que chegar à escola pública, espaço onde seus filhos estudam.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sociólogo diz que Temer é capaz de regredir lei trabalhista à 1888

Boitempo Editorial


Uma das grandes referências brasileiras da Sociologia do Trabalho, em entrevista concedida ao Brasil de Fato, ele discorre sobre as ofensivas neoliberais na América Latina em uma nova etapa da crise do capital mundial.

Para o sociólogo, a destruição da Consolidação das Leis do Trabalhado (CLT) para modernizá-la é uma falsidade. "Em todos esses países, as grandes transnacionais e grandes corporações pressionam os governos para que eles tomem medidas no sentido de destruir a legislação social protetora do trabalho", afirma. No Brasil, o segmento seria representado pela "grotesca da Fiesp" [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], que esteve na liderança do golpe parlamentar.


O professor também é otimista quanto ao futuro. Segundo ele, como resposta à retirada de direitos, haverá uma miríade social de lutas, de greves e manifestações. "A América Latina e a Ásia são dois laboratórios muito importantes das lutas sociais de inspiração socialista. (…) Nesses momentos de crise é quando os grandes desafios são postos e as alternativas de novos tipos aparecem", analisa.



Confira a entrevista completa:

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Reflexões Sobre Educação - Gaudêncio Frigotto


Ministro da Educação anuncia reforma-relâmpago sem participação dos professores




O ministro da Educação do governo Temer, Mendonça filho, anunciou nesta quinta-feira (15) que está coordenando a edição de uma Medida Provisória para reestruturar todo o Ensino Médio brasileiro de forma unilateral. A reformulação deve englobar tanto a grade curricular quanto o próprio funcionamento das escolas, introduzindo turnos integrais às escolas públicas.
O intuito principal da medida é flexibilizar o currículo de acordo com as pretensões profissionais de cada estudante, reduzindo e até removendo da grade as disciplinas que não forem do interesse profissional daquela área. A proposta, no entanto, não será feita sem qualquer consulta aos educadores, e não há qualquer estudo do impacto que terá nas escolas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Jornal do Brasil: Governo põe o trabalho no banco dos réus

Marcus IanoniJornal do Brasil
O neoliberalismo é a fase do capitalismo global de vitória das cigarras sobre as formigas e sobre as políticas keynesianas e de bem-estar social do Estado. Como a dominação neoliberal é grávida de contradições e instável, a subordinação das segundas depende de contínuos esforços e lutas das primeiras.
As cigarras são o reino da financeirização, da especulação com instrumentos financeiros, como ações, títulos públicos e privados, mercados futuros de commodities, moedas, juros, índices de preços etc. Os insetos que gostam de cantar, ou seja, da vida boa segundo a fábula de Esopo, são os jogadores do cassino global, sistema econômico que institucionaliza a aposta em lucros financeiros meramente através de movimentos de preços, com pouco lastro nos investimentos na economia real e, portanto, na acumulação de capital fixo produtivo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Depois de Cunha, é hora de intensificar o ‘Fora Temer’

‘‘E agora Cunha?
A festa acabou,
a luz apagou,
seus comparsas te traíram,
na noite, a Câmara te cassou.
E agora, Cunha?
E agora, você?
Gigante de pé de barro,
que zombava e golpeava os outros,
em você eu te escarro,
teu lugar é na cadeia.
e agora Cunha?
A coisa está feia!
Está sem a Câmara,
está sem discurso,
está sem padrinho,
não pode roubar,
não pode golpear,
não pode chantagear 
manipular já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio, 
veio a cassação.
E tudo acabou,
e tudo fugiu,
e tudo mofou.
E agora, Cunha?
Um preço caro você pagou.
(…)’’
O trecho desse poema-paródia de ‘‘José’’, de Carlos Drummond de Andrade, que pode ser lido na íntegra no site da CTB, foi escrito por Francisco Pantera, professor, jornalista, poeta e presidente estadual da CTB-RO. É  a representação lírica da vitória conquistada na última segunda-feira (12) com a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados e um dos principais articuladores do golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff.