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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Quando a educação transformadora tem, no centro, professor

Em Portugal, Movimento da Escola Moderna questiona salas-de-aula, cria conselhos democráticos e multiplica espaços de participação do aluno — mas valoriza, em especial, novo papel do educador  

Por Tathyana Gouvêa*

Agradeço ao professor Sérgio Niza, às professoras e a diretora da escola A Voz do Operário (Lisboa-Portugal) e ao professor Júlio Pires da Escola Básica Integrada de São Bruno (Lisboa-Portugal), que me concederam entrevistas e me permitiram a observação de suas práticas.

Diante de um número crescente de empresas, Fundações, voluntários e interessados na educação, o professor tem sido por vezes considerado apenas mais um dos agentes que trabalham em prol da transformação da área. No entanto, uma experiência que completa 50 anos em Portugal nos mostra que o professor é a peça fundamental para uma educação de qualidade e que está em suas mãos a decisão de oferecer experiências e conteúdos emancipatórios aos seus alunos.

Refiro-me ao MEM – Movimento da Escola Moderna de Portugal, que teve início na década de 60 junto ao Movimento da Escola Moderna Francesa, ligado à Célestin Freinet (1896-1966). Com o decorrer dos anos o projeto foi ganhando autonomia e, apesar de manter o mesmo nome, hoje apresenta características próprias e distintas de outros movimentos.

Sérgio Niza (1940 – ), ex-professor de ensino primário, perseguido no período da ditadura em Portugal, começou a reunir um grupo de educadores para estudar a prática pedagógica. O grupo seguiu realizando encontros mensalmente e hoje conta com mais de 200 membros ativos e diversos professores interessados por todo o país. Ao longo dos anos foi desenvolvendo uma metodologia pedagógica cujo cerne está na relação professor-aluno, ambos considerados agentes participativos do processo, como sustentado pelo psicólogo Vygostky (1896-1934), base teórica do MEM.

A metodologia com as crianças se estrutura sobre cinco pilares:

O trabalho por projeto em cooperaçãoA comunicação e difusão do trabalho desenvolvido entre os estudantesA construção ou revisão de conceitos e saberes com colaboração do professor e dos demais alunosO trabalho autônomo com acompanhamento individualE o conselho de cooperação educativa
Esta metodologia foi sendo constituída ao longo dos encontros dos professores e segue sendo aprimorada num processo contínuo de pensar e escrever sobre a prática docente. A escrita, para Sergio Niza, é a peça-chave do trabalho do professor, já que este é fundamentalmente um trabalho prático e intelectual, não podendo se configurar sem ambas as atividades. A escrita também se mostra necessária para todos os estudantes nos diversos níveis de ensino, uma vez que é por ela que o aluno se torna o autor do seu processo de aprendizagem e passa a expressar sua visão sobre os assuntos, seu pensamento e sentimento diante de tudo que lhe é apresentado pelo professor, pelos colegas e pela dinâmica do grupo. A produção escrita perpassa as várias áreas do saber e é desenvolvida diariamente de modo cooperado, sendo a autocorreção e os feedbacks dos colegas e do professor os elementos de aprimoramento do texto.

Semanalmente, os estudantes desenvolvem atividades individuais de estudo, atividades dirigidas pelo professor, conselho de cooperação educativa e planejamento. As salas “de aula” se transformam em laboratórios de estudo, em que alguns alunos fazem experiências sobre uma mesa maior ao fundo, outros estudam e resolvem seus roteiros de diversas áreas, seguindo o planejamento que cada um fez para a semana, outros leem livros num cantinho com almofadas e outros ainda sentam-se com o professor para tirar dúvidas ou revisar algum conteúdo.

E na sala são disponibilizados os vários fichários com roteiros e exercícios elaborados pelo professor da turma, papéis, lápis, canetas, réguas e borrachas de uso coletivo e, nas paredes da sala, diversos cartazes, entre eles o mais importante para a dinâmica da turma, em que ao longo da semana os alunos escrevem o que gostaram e o que não gostaram. Ali são registradas todas as queixas e elogios aos colegas, professores e demais funcionários da escola.

Todos os temas são lidos e tratados no conselho de cooperação educativa, que pode envolver pessoas de outra sala ou série na resolução do que foi trazido pelos alunos. As partes envolvidas sempre são ouvidas, todos podem propor soluções e a turma chega a um consenso com relação ao que será feito. Essa é para o MEM a distinção entre “assembleia” e “conselho de cooperação”: não se busca chegar a uma solução com base na vontade de uma maioria, mas sim ampliar a compreensão que cada parte tem sobre a outra, buscando processos de entreajuda e cooperação. Nessa concepção, o desenvolvimento sociomoral dos alunos está atrelado à consciência progressiva de que o sucesso individual só se realiza com o sucesso de todos.

Aparentemente isso só poderia ser aplicado numa escola bastante diferente das escolas tradicionais, não é? Pois é aqui que o MEM se destaca. Esse modelo não é adotado por escolas, mas sim por professores. Apenas uma escola em Portugal tem todos os seus profissionais ligados ao Movimento (a escola A Voz do Operário, em Lisboa). Os demais professores trabalham em escolas regulares e adotam essa metodologia em suas salas de aula, sejam eles professores de Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Médio.

Quando fui apresentada ao MEM, achei que o mesmo seria difícil de ser desenvolvido por professores do Fundamental II e Médio, uma vez que os docentes trabalham em horários reduzidos com cada turma, atuando por disciplina. Com algumas adaptações, especialmente na rotina de trabalho, que deixa de ser semanal e passa a ser mensal ou bimestral, o modelo segue contemplando o planejamento, o conselho de cooperação educativa, os estudos individuais e a escrita colaborativa.

As várias técnicas que compõe todo o modelo vão sendo introduzidas conforme o professor vai se familiarizando e sentindo segurança no seu trabalho e nos alunos, bem como compreensão e apoio da escola. Por ser um modelo bastante sério com grande respaldo teórico, elaborado pelos próprios professores e compartilhado mensalmente nos sábados pedagógicos, na rede interna aos membros ou pela revista impressa do Movimento, os professores vão avançando na reflexão de suas práticas e incorporando cada vez mais aspectos dessa metodologia no cotidiano de suas escolas.

Mas o que ganha um professor por se esforçar para fazer diferente, se dedicar um sábado por mês para estudar e debater com seus pares a prática pedagógica? Ganha um trabalho dotado de sentindo, o empoderamento de suas ações e a certeza de colaborar com uma educação emancipatória. O MEM se configura como um grupo de estudos em que os professores voluntariamente participam, que por crescer a cada dia passou a se estruturar, mas guarda na essência a crença de que é o professor, dialogando com seus pares, que será capaz de oferecer uma educação de qualidade.

Fonte: outraspalavras.net

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Quem são os brasileiros que guardam $20 bilhões no HSBC?

O escândalo do HSBC ou Swissleaks revela a hipocrisia abissal da nossa imprensa corporativa.

O caso traz o nome de milhares de indivíduos, muitos super-ricos, que escondiam fortunas no exterior, evitando o pagamento de impostos em seus países.

Para a nossa mídia, escândalos só tem importância se puderem ser usados como arma política para detonar o PT e o governo.

O Brasil é um dos países com maior número de pessoas envolvidas na evasão fiscal  e lavagem de dinheiro proporcionadas pelo HSBC, e até agora, à diferença de diversos outros países, onde o caso domina a agenda jornalística, nossos jornais vem abafando o caso.

O único grande órgão de imprensa a manter a guarda dos nomes  dos brasileiros envolvidos é o UOL, que já declarou que irá divulgar apenas se “houver interesse público”.

Em outras palavras, os nomes apenas serão divulgados se puderem ser usados para jogar lenha em algum escândalo da imprensa e incorporados a alguma narrativa midiática.

É o que fez Fernando Rodrigues, que divulgou apenas os nomes envolvidos no escândalo do HSBC que também constam no inquérito da operação Lava a Jato.

Com extraordinária submissão, Rodrigues garante que outros nomes não irão vazar, apesar de informar que, no caso do Brasil, “são 6.606 contas bancárias (que atendem a 8.667 clientes) e um valor movimentado/depositado (em 2006 e/ou 2007) de cerca de US$ 7 bilhões – o equivalente a cerca de R$ 20 bilhões, um montante próximo ao que o governo da presidente Dilma Rousseff precisa economizar em 2015 para fazer o ajuste fiscal do país.”

20 bilhões de reais!

Rodrigues admite que, na lista, há “empresários, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais”.

Onde estão esses nomes? Por que não revelá-los?

O caso poderia gerar a um debate sobre o crime que mais retira recursos da economia brasileira: a sonegação e a evasão fiscal.

Mas esses assuntos são evitados por nossa imprensa com um fervor religioso.

Recentemente, a organização Tax Justice divulgou duas notícias envolvendo o Brasil que foram completamente abafadas por nossa grande imprensa.

Primeiro, foi o ranking internacional dos países que mais detêm fortunas em paraísos fiscais. O Brasil está em quarto lugar, com nossos super-ricos guardando no exterior, ilegalmente, mais de R$ 1 trilhão.

Em seguida, a mesma ONG divulgou outro estudo, posicionando o Brasil em segundo lugar no ranking dos países com maior taxa de evasão fiscal do mundo, só perdendo para a Rússia. Sendo que, em valor total, o Brasil sonega 280 bilhões de dólares por ano, contra 211 bilhões da Rússia.

Em valor, o Brasil só perde para os EUA.

A evasão fiscal dos EUA foi estimada em 337 bilhões de dólares, mas isso corresponde a somente 2,3% do PIB de lá.

A nossa evasão fiscal corresponde a 13,4% do PIB!

O engraçado é que a mídia poderia, facilmente, usar essa informação para bater no governo, exigindo maior controle sobre o vazamento de nossas divisas.

Por que não o fez?

Porque essa é uma crítica que a mídia não quer fazer ao governo.

O Globo prefere (como volta a fazer hoje), naturalmente, defender o ajuste fiscal do Levy, que ao lado de corrigir algumas distorções, dá umas mordidas desnecessárias em direitos dos trabalhadores.

Imagina se o Globo vai defender que a busca do saneamento das contas públicas se dê pelo aumento de rigor sobre a evasão fiscal?

 

A nossa mídia prestou um silêncio obediente em relação ao escândalo de sonegação da Globo.

Foi um fenômeno incrível, mas que serviu maravilhosamente para iluminar a hipocrisia da nossa mídia.

O abafamento do escândalo revelou a existência de um cartel poderoso, encabeçado pela Globo, que exerce um controle absoluto sobre milhares de outras empresas de mídia.

Ninguém fala mal um do outro.

A nossa mídia é uma espécie de Estado Islâmico. Jornalista que foge à regra, tem sua cabeça cortada em frente às câmeras. Empresa afiliada ao cartel que divulga escândalo incômodo, perde contratos de publicidade.


Fonte: ocafezinho.com

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CNTE apresenta pesquisa “Educação: motor de um país melhor” para o CNE


Na última quarta-feira (11/2), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) apresentou, na Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), a pesquisa “Educação: motor de um país melhor”, encomendada ao Instituto Data Popular, em parceria com o  Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) e lançada na última Conferência Nacional de Educação.

O levantamento, feito com três mil pessoas com mais de 16 anos, nas cinco regiões do País, revelou que a falta de segurança e a violência nas escolas são os principais problemas apontados pela população. Os entrevistados consideram a profissão de professor o ofício mais importante para que o Brasil tenha um bom futuro, mas apenas 15% gostariam de virar educadores.

“Cremos que os conselheiros do CNE são parceiros importantes. Como é um órgão que normatiza e traça resoluções, queremos, a partir do resultado da nossa pesquisa, trabalharmos juntos, no sentido de melhorar
a educação do nosso país”, afirma a secretária geral da CNTE, Marta Vanelli.


A pesquisa apontou também que a valorização dos professores e funcionários é fator de preocupação: 98% acreditam que a profissão deveria ser valorizada. Além disso, 59% consideram que as escolas públicas estão longe de ter uma educação de qualidade e 98% consideram que bons salários para professores e funcionários ajudariam a mudar esse quadro.

Para os membros do Conselho, a pesquisa é indispensável, pois vai direcionar a reflexão dos gestores a partir da leitura real dos brasileiros sobre a escola pública: “É um momento apropriado para mudança. Não é uma intuição, é uma pesquisa científica. Eu gostaria que esta pesquisa fosse o ponto de corte entre ‘se falar e não se fazer’, para que os professores sejam efetivamente valorizados”, disse a conselheira Malvina Tânia Tuttman.

Segundo o Presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, Luiz Roberto Alves, este trabalho é importante tanto para o CNE quanto para o sistema educacional brasileiro. “Há uns 10 anos, observa-se a demonstração de que a educação é importante, segundo a mídia e a família, na medida em que o país conseguiu colocar as crianças na escola, em até 97% no ensino fundamental. Acontece que existe uma ignorância ampla sob qual é essa importância trocada em miúdos. A importância é a qualidade? A formação do professor? Os valores cultivados pela escola? É a sua presença na comunidade?”, completa.

Para o conselheiro Francisco Aparecido Cordão, não houve surpresas na pesquisa. “O que ela enfatizou foram alguns aspectos que já são conhecidos, mas que precisam ser formalmente demonstrados para a sociedade, para iluminar a definição de políticas públicas, relacionados a formação e valorização de professores. A oferta de ensino de qualidade para todos os brasileiros é o nosso maior desafio, e só podemos oferecer isso, se tivermos professores valorizados e bem informados. Temos que atrair as pessoas para esta importante carreira. É importante refletir e divulgar esses dados e valorizar a atuação do professor para que tenhamos uma educação de qualidade para todos os brasileiros”, conclui

Fonte: CNTE

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Hora de intensificar a luta contra a terceirização!

Num momento em que os trabalhadores e trabalhadoras do país lutam pela preservação de seus direitos, eis que vem mais um golpe: O Projeto de Lei 4.330/04, que expande a terceirização – tornando possível, inclusive, a terceirização de atividades-fim, foi desarquivado nesta terça-feira (10) e está pronto para votação no plenário da Câmara dos Deputados. Além disso, também pode voltar à tramitação no Senado projeto idêntico ao PL 4.330. Trata-se do PLS 87/10, que foi arquivado no final da legislatura, mas poderá ser desarquivado mediante requerimento de qualquer senador, com apoio de 27 colegas.

Como reforça o Diap, “nesta fase do debate sobre o tema, o movimento sindical precisa ficar atento, pois há forte tendência de o projeto ir à frente, tendo em vista a composição da Câmara empossada no dia 1º de fevereiro de 2015”. “Trata-se de uma composição mais conservadora, com uma bancada empresarial que manteve sua força e poder, com 220 representantes na Câmara. Enquanto a bancada sindical, que na legislatura passada tinha 83 representantes na Casa, agora tem 51.”

Diante da desigualdade da correlação de forças, a Contee ressalta a importância de que nossa categoria, juntamente com todo o movimento sindical, atue fortemente nos espaços de negociação para impedir a terceirização sem limites, que precariza as relações de trabalho e retira direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Para isso, a Confederação reforça às entidades filiadas que é fundamental sua intervenção nas bases, junto aos parlamentares de seus estados. Afinal, para que a educação – e também os trabalhadores e trabalhadoras – tenham voz e vez, é imprescindível levar a sério o lema da campanha lançada pela Contee no ano passado e fazer valer o nosso voto.

fonte: contee

Aula inaugural do IME


Ampliar a soberania científica e tecnológica do País, elevar o padrão de vida material e espiritual da população brasileira e ampliar os horizontes da democracia no Brasil. Segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, esses são três desafios permanentes que as disciplinas da C,T&I têm em relação ao País. A afirmação foi feita durante aula inaugural concedida pelo ministro no Instituto Militar de Engenharia (IME), na última sexta-feira (6), na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Marco Civil da Internet e Lei de Proteção de Dados são agendas do século 21

A cultura digital no Brasil ganhou nesta quarta-feira (28/1) dois grandes impulsos de modernização. O governo abriu a consulta pública da regulamentação do Marco Civil da Internet e a elaboração do projeto de lei para proteção de dados pessoais. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que o Brasil tem pressa em avançar nestes dois itens, porque fazem parte da agenda de ações do país no século 21.
 
"O século 21, com este processo vertiginoso do avanço, particularmente na área digital, a internet e a agenda que essa revolução tecnológica nos coloca é incontornável. Tem países, inclusive, que adotaram uma agenda parlamentar que, de tantos e tantos anos, revisam todas as leis sob o ponto de vista que elas estejam compatibilizadas com o desenvolvimento tecnológico", salientou o ministro.
 
Ferreira participou do lançamento dos debates públicos sobre a regulamentação do marco civil da internet e o anteprojeto de lei para proteção de dados pessoais. O evento, realizado no Ministério da Justiça, marcou a abertura de uma plataforma na internet, na página participacao.mj.gov.br, onde interessados poderão contribuir com sugestões para os dois assuntos. As consultas ficarão abertas por 30 dias, com possibilidade de renovação de prazo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

VEM AÍ, 13º ENCONTRO NACIONAL DE ESCOLAS TÉCNICAS DA UBES

Secundaristas, preparem suas malas! O ano de 2015 começará no Rio de Janeiro com o maior Encontro Nacional de Escolas Técnicas da UBES, o ENET. Com o tema “O ensino técnico que a gente quer: Acesso, expansão, qualidade e assistência estudantil”, a 13º edição do evento vai falar sobre a modalidade de ensino que tem cumprido importante papel na produção de ciência e tecnologia no Brasil.
Não poderia ser de outra maneira! A programação reunirá jovens das mais diversas escolas técnicas e institutos federais do país nas mesas de debate, campeonato de futsal feminino e masculino, feira de estágios, apresentação de trabalhos e atividades culturais.

INSCREVA-SE!

Inclua essa viagem na sua agenda de férias! Para participar, o estudante precisa apenas realizar a pré-inscrição do evento e curtir a Cidade Maravilhosa!
Organize sua turma e faça já sua inscrição. Acesse aqui.
Mais informações, fale com a coordenação do ENET por e-mail (ubesenet13@gmail.com ) ou via WhatsApp (11) 9.9439-6507

fonte: ubes.org.br

Orçamento da educação sob suspeita

Estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV­DAPP) revelou que o orçamento do Ministério da Educação (MEC) tem sido executado abaixo da média do orçamento geral da União. Em 2014, o MEC gastou efetivamente 77% das verbas empenhadas, enquanto o orçamento geral teve 82% de execução.

Os pesquisadores da FGV constataram, ainda, que no primeiro Governo Dilma os recursos para a educação cresceram acima da média de 2001 a 2010 ­ chegando o acréscimo a R$ 93 bilhões (55% além da inflação) ­, porém os problemas na execução orçamentária comprometem a qualidade e a efetividade do investimento.

Muitas são as hipóteses para a baixa execução no orçamento do MEC, em especial as que envolvem a construção de novas creches, Institutos Federais e Universidades, que somente têm os serviços pagos após a entrega dos prédios ­ e existem atrasos recorrentes nas obras.

Outra explicação para o problema reside no contingenciamento de repasses da União para estados e municípios, sobre tudo do Fundeb e de ações intermediadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que afeta diretamente os investimentos na escola pública
de nível básico.

No caso do Fundeb, além do percentual de 15% autorizado pela Lei para transferência a posteriori dos recursos de complementação da União, existem anos, a exemplo de 2013 e 2014, que o MEC não corrige em tempo hábil o valor per capita do Fundo, deixando de repassar aos estados e municípios significativos recursos para investimentos nas escolas e para pagamento dos
profissionais.

O lema do novo governo “Brasil, Pátria Educadora” certamente lançará luzes sobre muitos problemas que travam a possibilidade de melhoria da educação pública, como esse da execução orçamentária do MEC. E cabe à sociedade cobrar medidas para melhorar o gasto público na perspectiva de cumprimento da meta 20 do Plano Nacional de Educação, que prevê o investimento de 10% do PIB em educação na próxima década.

Outra ação urgente diz respeito à regulamentação do Custo Aluno Qualidade ­ previsto na meta 20 do PNE ­, pois se trata de política que potencializará o investimento e a correta alocação das verbas da educação.

Neste momento de ajuste fiscal com sobrecarga para os trabalhadores ­ ação governamental com a qual a CNTE não concorda, pois nenhuma política até agora se voltou para a justiça contributiva no país, em especial para a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas ou para o aumento de impostos das instituições financeiras ­, os trabalhadores em educação das escolas públicas exigem o cumprimento das promessas eleitorais da presidenta Dilma e de todos os governadores e prefeitos para que tenhamos efetivamente uma pátria educadora.

Fonte: Portal da CNTE