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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014

JB faz retrospectiva 2014, veja abaixo:



Retrospectiva 2014: Tragédia e fatos insólitos. Eleições que marcaram o Brasil
Do acidente e morte prematura de Eduardo Campos às denúncias e embates entre os postulantes


O ano de 2014 mal iniciou e o tema Eleições tomou conta do cenário político nacional. Especulações ganharam força e movimentaram os bastidores políticos até as convenções partidárias de junho, quando foram definidas as alianças e coligações. Porém, quando as primeiras pesquisas davam sinais dos possíveis resultados das eleições presidenciais nas urnas, começam as reviravoltas que transformaram o pleito em histórico no país. 
Um acidente aéreo mudou completamente os rumos das eleições. A tragédia que levou à morte o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, no dia 13 de agosto de 2014, em Santos, Litoral paulista, abalou a nação e refletiu de imediato nos resultados das pesquisas.
Até o dia 5 de outubro, quando os brasileiros tinham o compromisso cívico com as urnas, muitos fatos reviraram as eleições mais disputadas das últimas décadas, com as surpresas nos resultados das pesquisas na reta final do primeiro turno, o destaque de candidatos de partidos manicos nas redes sociais em função de temas polêmicos, o tom de agressividade dado pelas acusações e denúncias nos debates televisivos e a chegada dos famosos memes, que descontraíram o clima tenso das disputas.
Morte de Campos muda quadro eleitoral
O dia 13 de agosto delineou o primeiro turno das eleições. Um dia antes da sua morte, Eduardo Campos concedeu entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, em uma série de sabatinas programadas com os postulantes à Presidência. Campos comentou propostas para o país. Com as primeiras notícias sobre a sua morte, no dia seguinte à entrevista, e de todos os tripulantes da aeronave que o presidenciável usava para se deslocar do Rio para São Paulo, um clima de estarrecimento tomou conta do Brasil e teve destaque na imprensa internacional. Campos foi sepultado no dia 17 de agosto, na presença da viúva Renata Campos, seus filhos e da ex-senadora Marina Silva, vice na sua chapa.
Os números das pesquisas eleitorais do Instituto Datafolha até a morte de Campos mostravam uma tendência de queda da presidente Dilma Rousseff (PT), uma ascensão do candidato do PSDB Aécio Neves, e Campos seguia de forma estável, em terceiro lugar. Após a morte de Campos, o PSB oficializou a candidatura da ex-senadora Marina Silva à Presidência, que assumiu a candidatura com plena ascensão nas pesquisas, mudando o quadro eleitoral. O deputado Beto Albuquerque saiu como vice da chapa.
No entanto, mudanças na reta final do primeiro turno deixaram Marina de fora da disputa no segundo turno, que teve como protagonistas o PT e o PSDB. O PT de Dilma havia anunciado Michel Temer como vice, os tucanos escolheram Aloysio Nunes Ferreira como vice.  
O forte embate entre Marina e seus adversários políticos levaram a postulante a afirmar que a sua campanha estava sendo "satanizada", assim como o programa de governo do PSB, apontando o fato como causador da sua queda nas pesquisas. A candidata se referia às criticas dos adversários sobre as mudanças relacionadas à população GLBT e à continuidade do programa do Pré-Sal do governo petista.
Em 29 de agosto, o Datafolha revela empate entre Dilma Rousseff e Marina Silva no primeiro turno do pleito. Nas duas pesquisas seguintes à morte de Campos, a ex-senadora pulou de 21% para 34% nas intenções de voto para o primeiro turno, abrindo 10 pontos de vantagem em relação a Dilma na pesquisa de intenção para o segundo turno. Especulações davam conta de que Aécio poderia abdicar da candidatura em apoio a Marina.
Com as críticas nacionais de entidades, autoridades e dos postulantes, principalmente por parte dos evangélicos, sobre o programa de governo anunciado pelo PSB, defendendo inicialmente os direitos LGBT's, mas alterado em seguida, em setembro Marina cai nas pesquisas, deixando a posição de liderança para a adversária do PT.
O "Informe JB" publicado no dia 30 de setembro já alertava para uma tendência do candidato tucano no segundo turno.
No dia dois de outubro, os institutos divulgavam os novos números da corrida presidencial, apontando Dilma Rousseff na dianteira da disputa ao Planalto.
Temas das campanhas
A maioria dos temas abordados durante as campanhas para a Presidência foi desenhado no ano anterior, com as manifestações populares que tomaram conta do país. Um fato é inegável: as redes sociais tiveram papel relevante na disputa eleitoral, dando projeção aos partidos menores, especialmente, e abrindo espaço para uma maior participação dos brasileiros conectados à rede. 
As jornadas de junho de 2013 deixaram como herança para as campanhas eleitorais as discussões como: a qualidade dos serviços públicos e os seus valores cobrados aos brasileiros; corrupção, a partir de eventos como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, que estavam ligados diretamente com as questões das remoções de famílias para a realização das obras de infraestrutura; e os gastos excessivos com estes megaeventos, em detrimento de baixo investimento nas áreas da saúde e educação. 
Ainda em junho de 2013 outro fato interferiu nas eleições. A Rede Sustentabilidade, partido político que Marina Silva tentava legitimar para as disputas eleitorais, recebeu uma negativa e a ex-senadora anunciou o seu apoio a Eduardo Campos, no dia 5 de outubro, filiando-se ao PSB. Em dezembro, a novidade partiu dos tucanos. José Serra desiste da sua candidatura em favor de Aécio Neves. O anúncio foi feito pelas redes sociais.
Em abril de 2014, Campos e Marina anunciaram a chapa presidencial do PSB, em um evento realizado pelo partido. Em julho, quando começa oficialmente a corrida eleitoral, um cenário era apresentado aos eleitores. Concorriam Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Na pesquisa eleitoral divulgada no dia 2 de julho, na mesma semana em que a campanha foi aberta pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Dilma aparecia com 38% das intenções de voto, contra 20% de Aécio e 7% de Campos. Os programas de governo entregues à Justiça Eleitoral destacavam temas como combate à inflação e estímulo ao crescimento.
Fatos que movimentaram os bastidores das campanhas
Em junho, a presidente Dilma Roussef é vaiada durante o jogo de abertura da Copa do Mundo, em São Paulo. A atitude de um grupo foi recriminada dentro e fora do país e a organização do torneio foi considerada um sucesso.
Em julho, a Folha revela a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas Gerais, com a verba do governo estadual de R$ 14 milhões. A reportagem denunciava que o aeródromo fica dentro da fazenda de um tio de Aécio Neves e que o candidato fazia uso do serviço. Aécio negou ter construído o aeroporto em benefício da sua família e alegou na época que a região era carente de uma pista de pouso.
Ainda em julho, outro caso gerou polêmica e foi algo de críticas do PT. O banco Santander enviou um informe a um grupo de clientes associando a reeleição da presidente Dilma Rousseff à piora do quadro econômico no país. A presidente Dilma classificou o episódio como "inadmissível" e "lamentável". 
No final de julho, em clima de campanha, a presidente Dilma Rousseff participou da inauguração do Templo de Salomão, da Igreja Universal em São Paulo.
O Jornal do Brasil publica reportagem sobre os gastos de campanha. As ações que mais chamavam a atenção pelo excesso de material, especialmente no Rio de Janeiro, era do candidato tucano Aécio Neves.
No final de julho, o CNI promove sabatina com os candidatos à Presidência com maior representação no Congresso. Campos defende as parcerias público-privadas, Aécio defende que é preciso recuperar a credibilidade do país, retomando o crescimento da economia, e Dilma apresentou os resultados do seu governo, especialmente na área industrial.
O mês de agosto foi marcado pelas homenagens de todos os partidos à Eduardo Campos. Ao mesmo tempo, o clima era de suspense quanto o novo nome para substituir o candidato do PSB morto no acidente de avião. Começa os programas eleitorais televisivos, com Marina Silva anunciada oficialmente como postulante. O PSB aposta na comoção nacional pela morte precoce de Campos, o PT criou um elo mais popular da presidente, que surgiu no seu primeiro programa cozinhando macarrão, enquanto os tucanos exploraram a figura de Aécio como neto de Tancredo Neves.
O caso Mensalão ganha destaque nos noticiários, com as denúncias feitas em depoimento pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, que revelou um esquema de corrupção na estatal. O tema passou a dominar os debates ao longo das campanhas. Enquanto isso e usando o tema corrupção na Petrobras, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso trabalha em cima da campanha tucana de Aécio Neves.
No dia 15 de setembro, o ex-presidente Lula participa de um evento organizado por sindicalistas no Centro do Rio, em defesa do Pré-Sal. Milhares de pessoas acompanharam a passeata que coloriu de vermelho duas principais avenidas do Rio, a Rio Branco e a Chile, onde fica a sede da Petrobras. O ato organizado pelos Sindicatos dos Bancários, pela Federação Única dos Petroleiros e pela Central Única dos Trabalhadores, também teve como objetivo apoiar a candidatura de Dilma Rousseff. Em meio ás faixas e cartazes do PT, alguns dizeres como "Fora Marina e leva o Itaú junto", como crítica á participação de uma das herdeiras do banco, Neca Setúbal, na campanha de Marina.
Durante a sua campanha, Dilma Rousseff alertou que a candidata do PSB não dava prioridade ao programa do Pré-Sal criado no governo PT, cujos rendimentos eram destinados à educação e à saúde. A candidata petista considerou um 'sacrifício ao futuro da educação e do Brasil'. Por outro lado, Marina afirmava que manteria o programa do Pré-Sal caso fosse eleita Presidente da República. 
Artistas e intelectuais se unem em favor da candidatura de Dilma Rousseff
Intelectuais e artistas brasileiros se unem em prol da candidatura de Dilma Rousseff e fazem um ato no Teatro Oi Casagrande, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 16 de setembro. Nomes como Leonardo Boff e Marilena Chauí lideram a comitiva e pousam ao lado da presidente.
A coligação Unidos pelo Brasil, de Marina Silva, recorre ao TSE para retirar do ar o site de apoio à reeleição de Dilma, alegando que a página não era oficial. Após parecer favorável à coligação, o tribunal voltou da decisão e liberou o site.
No dia 10 de outubro, já no segundo turno da eleição presidencial, o Financial Times dá enfoque internacional à entrevista com a apresentadora Miriam Leitão, com os ministros da Economia indicados por Dilma Rousseff e Aécio Neves, que venceram no primeiro turno: Guido Mantega e Armínio Fraga.
A reportagem do periódico norte-americano teve consequências na Bolsa de Valores e no mercado econômico global.
Na semana após a votação no primeiro turno, o áudio com a delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, vaza com as informações de que o PT, PP e PMDB recebiam verbas destinadas às obras da estatal e o esquema era mantido também em outros governos.
Debates políticos e memes
No primeiro turno, respondendo às acusações dos adversários políticos, a candidata do PSB, Marina Silva, nega fragilidade durante sabatina e recorre ao passado, relembrando que até o ex-presidente Lula chorou ao ser diplomado presidente.
Os candidatos de partidos chamados "manicos", que aparentemente não conseguiriam muito destaque nas eleições de 2014, abafados pela disputa acirrada entre PT-PSDB-PSB, tiveram momentos de "estrela" em debates nas redes sociais. O candidato do PV, Eduardo Jorge, largou na frente logo após o primeiro debate promovido pela Band Rio. A forma descontraída de apresentar as suas propostas para o governo federal rendeu inúmeros "memes" ao candidato do PV.
Já o debate realizado na Record gerou protestos nas redes sociais, após o candidato Levy Fidelix (PRTB) afirmar em um embate com Luciana Genro (Psol), que homossexuais precisam de tratamento psicológico e ainda associar gays a pedófilos. O tema homofobia explodiu nas redes sociais e Fidelix foi alvo de duras críticas, que repercutiu nos debates seguintes. No último debate realizado pela Rede Globo às vésperas do primeiro turno, Eduardo Jorge, Genro  e Fidelix protagonizam novas discussões e ofensas ainda sobre o tema homofobia.
Os institutos de pesquisas divulgam novas pesquisas após o debate da Globo, já mostrando a reação de Aécio, que aparece em empate técnico com Marina. O tucano assume uma postura mais agressiva na campanha, empolgado com os elogios pelo desempenho no debate. Aécio conseguiu abrir uma diferença de 10 pontos da adversária do PSB e dispara nas pesquisas às vésperas do primeiro turno.
Votação e surpresa nas urnas
O povo brasileiro dá a Dilma Rousseff e Aécio Neves a chance de disputar o segundo turno das eleições, no dia 5 de outubro, contrariando as últimas pesquisas eleitorais divulgadas nas semanas anteriores. Dilma faz discurso emocionado após ficar em primeiro lugar na apuração do primeiro turno. Aécio comemora em Minas Gerais e Marina Silva agradece a votação expressiva dos eleitores, apesar de não ser suficiente para mantê-la na disputa ao Planalto.
Segundo turno - Uma nova eleição presidencial
Passada a euforia dos resultados do primeiro turno das eleições, especialistas anunciam "uma nova eleição", para o dia 26 de outubro, que seria impulsionada por decisões ainda desconhecidas naquele momento, como o apoio de Marina Silva a um dos candidatos e o novo tempo de TV no horário político, que passaria no segundo turno a ser igual para ambos os partidos. Após um período de suspense e especulações, Marina Silva oficializa o apoio ao candidato do PSDB no segundo turno. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro ganham a preferência nas campanhas dos dois candidatos.
Numericamente, o candidato tucano abre o segundo turno em vantagem, de acordo com  as pesquisas Datafolha e Ibope. No entanto, não demora muito para a presidente se recuperar e tomar a dianteira nos estudos seguintes. Dilma Rousseff recebe apoio de jovens e  intelectuais em ato promovido em São Paulo, logo no início da campanha no segundo turno. Apoiadores do candidato Aécio Neves fizeram uma em passeata em São Paulo, no dia 22, que ocupou a Avenida Faria Lima.
Em um dos principais debates, promovido pelo SBT São Paulo, no dia 16 de outubro, os dois postulantes trocam fortes acusações e adotam discursos incisivos. Nas redes sociais, eleitores em todo Brasil reclamam que as propostas foram deixadas de lado. A presidente passa mal e recebe ajuda da produção do debate. As denúncias de nepotismo entre os candidatos levam o TSE a proibir veiculações de programas no rádio e na TV que não tivessem teor propositivo. Mesmo com a medida do presidente da Corte, Dias Toffoli, o clima continuava quente nas ruas e nas redes sociais, com um embate agressivo entre os partidos.
No dia 23 de outubro, o JB destaca os novos números das pesquisas, que já apontavam Dilma à frente da disputa presidencial. 
Dois dias antes, o Vox Populi anunciava: "Dilma Rousseff tem 46% das intenções de voto e Aécio Neves, 43%". A pesquisa encomendada ao instituto pelo Grupo Record mostrava empate técnico entre os candidatos.
O debate promovido pela Rede Globo no dia 24 de outubro fecha o período de disputa para a segunda etapa das eleições. Nas pesquisas divulgadas no dia anterior, Dilma aparecia com 54% dos votos válidos, contra Aécio, com 46%. No levantamento divulgado no dia 15 de outubro, Aécio tinha 51% das intenções de voto e a presidente 49%. No embate na Globo, os postulantes responderam à eleitores indecisos, além das perguntas entre eles. Acusações e ironias deram o tom do encontro, que abordou temas sorteados pela Central de Jornalismo da emissora.
No segundo turno, o PSDB conseguiu ampliar consideravelmente a sua aliança politica para enfrentar Dilma Rousseff, contando com a união dos candidatos derrotados na primeira etapa do pleito. O PT manteve as coligações com os nove partidos firmadas ainda no primeiro turno. Mesmo com a disparidade entre os apoios dados aos dois partidos, a população decidiu nas urnas pela vitória de Dilma Rousseff.
A imprensa já relatava nas primeiras horas da manhã do dia 26 de outubro os momentos em que os dois candidatos foram nas suas devidas zonas eleitorais votar. Aécio votou em um colégio em Belo Horizonte, em Minas Gerais. Dilma compareceu à urna em Porto Alegre, acompanhada do governador Tarso Genro. Dilma se limitou a dizer que a campanha de 2014 teve "momentos lamentáveis".
Dilma Rousseff reeleita presidente do Brasil
Depois dos 111 dias de campanha e uma disputa acirrada nos dois turnos, Dilma Rousseff é reeleita presidente pelo povo brasileiro, para cumprir mais quatro anos de mandato. Dilma obteve uma vitória apertada sobre Aécio. A petista alcançou 51,64% dos votos contra 48,36% do tucano. O horário de verão atrasou a divulgação do resultado da eleição, que só aconteceu após as 20 horas, quando as urnas foram fechadas no Acre, que tem fuso atrasado em relação ao horário de Brasília.
Em seu pronunciamento, Dilma agradeceu o empenho do ex-presidente Lula e do seu vice na chapa, Michel Temer. A presidente pediu a união da população e afirmou que seu primeiro compromisso logo ao assumir o novo mandato é "buscar diálogo". Dilma negou a tese de especialistas de que o país estaria dividido por causa das eleições. "Não acredito, sinceramente, que essas eleições tenham dividido o país ao meio. Entendo que elas mobilizaram ideias, emoções às vezes contraditórias, mas movidos a um sentimento comum: a busca de um futuro melhor para o país", disse a presidente em seu discurso, em meio aos gritos de militantes - "coração valente". 
Dilma finalizou dizendo que vai se empenhar no controle da inflação, da reforma política e avançar com os programas voltados para a responsabilidade fiscal.
O candidato derrotado Aécio Neves afirmou que sai das eleições "mais vivo e sonhador". Em seu telefonema à presidente para cumprimentá-la pela vitória, o tucano disse que a prioridade do novo governo deve ser unir o país em prol de um plano dignificante de governo para todos os brasileiros.
No dia 27 de outubro, o Jornal do Brasil publicou a matéria "Desafios do Brasil: analistas apontam rumos para a segurança no novo governo de Dilma Rousseff". A reportagem abriu uma série de matérias que destacam os desafios do novo mandato de Dilma.

Fonte: JB Online

 http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/12/31/retrospectiva-2014-tragedia-e-fatos-insolitos-eleicoes-que-marcaram-o-brasil/

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Moção de Apoio ao Sindicato dos Professores do Distrito Federal – SINPRO/DF e ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação – SAE/DF

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE, entidade representativa de mais de 2,5 milhões de profissionais da educação básica pública no Brasil, manifesta seu apoio à luta do Sindicato dos Professores do Distrito Federal – Sinpro/DF, e do Sindicato dos Auxiliares em Educação – SAE/DF pelo não pagamento dos salários do mês de novembro.
O Governo do Distrito Federal, que deveria pagar os salários até o quinto dia útil, por falta de planejamento e organização, deixou os servidores públicos sem receber, provocando grandes manifestações e a paralisação do centro da Capital. Cerca de 43 mil servidores da rede pública de ensino tiveram seu salário creditado apenas na madrugada de hoje, em fragorosa manifestação de desrespeito.
Lamentamos que mais uma vez a educação é desrespeitada. Deixar salários atrasar no final do ano letivo, prejudicando milhares e milhares de estudantes é a expressão da desconsideração com trabalhadoras e trabalhadores em educação e, em consequência, com a educação pública do Distrito Federal. Somente com o respeito ao mais elementar dos direitos – receber salário em dia – é possível construir educação de qualidade.
A CNTE manifesta seu repúdio a ações dessa natureza e exige que essa atitude não se repita. As categorias continuam mobilizadas, pois se aproxima e o pagamento do décimo-terceiro salário, que deve ser creditado na próxima semana. Não aceitaremos novos atrasos e exigimos cumprimento efetivo de todos os direitos.
Os trabalhadores e as trabalhadoras em educação do Distrito Federal não merecem terminar um ano letivo em que trabalharam arduamente pela valorização da educação, cumprindo seus deveres, de forma triste e lamentável.
Respeito aos trabalhadores  trabalhadoras é valorização da educação. Somente com respeito a educação será de qualidade.

Roberto Franklin de Leão Presidente

fonte: cnte

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Lula defende a aceleração da integração latino-americana para o enfrentamento da crise econômica

No Equador, Lula dá uma aula de Geopolítica: juntos somos 600 milhões de habitantes com um PIB de US$ 5,5 trilhões.


Lula: nossos países estão distribuindo renda, conhecimento e poder (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Quanto mais integração melhor se enfrenta a crise, disse ele.

Lula propõe uma nova ordem política global, a partir da união da América Latina e do Caribe.

Um conjunto econômico que pode se fortalecer se o Brasil superar ridículos entraves administrativos que dificultam a passagem pelo “Eixo Interoceânico Sul”, que liga o Peru e a Amazônia.

E se o Brasil e a Bolívia chegarem, logo, a um acordo sobre o transito de caminhões de outros países, para liberar, de vez, a passagem pelo “Corredor Bi-Oceanico”, que liga os portos de Arica no Chile a Santos.

É a aula a que os tucanos faltam.

Porque o projeto deles é tirar os sapatos num Pacto do Pacífico, de forma a se integrar, como na ALCA, à hegemonia (decadente) dos Estados Unidos.

(Já em 2014 a Economia da China será maior que a dos Estados Unidos. E que a China e a Nicarágua vão construir um canal mais largo e mais fundo para competir com o do Panamá.)

(E que a Presidenta Dilma e o presidente Xi Jinping assinaram um compromisso para construir, com o Peru, uma estrada de ferro que sai de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, para chegar ao Peru … Será o ramal Oeste da Norte-Sul.)

Daí, o papel estratégico desses dois corredores trans-continentais que o Lula mencionou.

Eis a Aula Magna (que dá coceira no Príncipe da Privataria, em Paris):

Lula defende mais integração na América Latina contra a crise econômica e o conservadorismo



“Lula, bem-vindo,  o Equador está contigo”, assim foi recebido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira (3), em Guaiaquil, no Equador,  onde defendeu a aceleração da integração latino-americana contra a crise econômica.


O ex-presidente participou nesta quarta-feira (3), do Seminário Internacional “Integração e Convergência na América do Sul”, da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), onde aconteceu a conferência “A Unidade e a Integração Latino-Americana e Caribenha: Passado, Presente e Futuro”. O seminário antecede a inauguração da sede da Unasul, em Quito, na sexta-feira (5), com a presença dos presidentes da região, inclusive a presidenta Dilma Rousseff.


Em seu discurso, Lula parabenizou a vitória de Tabaré Vasquez no Uruguai, considerada pelo ex-presidente brasileiro parte de um “segundo ciclo” de integração e governos populares na América do Sul, junto com as recentes eleições de Evo Morales, na Bolívia, Michelle Bachelet, no Chile, e Dilma Rousseff, no Brasil. Para o ex-presidente, o povo renovou sua confiança nos governos de transformação social, mesmo diante de ataques do conservadorismo feitos “a toda soberania de uma região do planeta que está construindo um vigoroso projeto alternativo ao neoliberalismo.”


Ao comentar os avanços da integração no século 21, Lula apontou que o já realizado em infraestrutura e aumento do comércio na América Latina, que saltou de 50 bilhões de dólares para 189 bilhões de dólares em 10 anos, foi muito, mas ainda não estão à altura do nosso potencial ou necessidades. “A crise econômica mundial teve um efeito inibidor sobre as iniciativas de integração. Como se tivéssemos que esperar o fim da crise para voltar a tratar da integração. Estou convencido de que é justamente o contrário: quanto mais nos integrarmos, melhores serão as nossas condições para enfrentar e superar os efeitos da crise.”


Lula citou como exemplo, problemas em dois projetos de infraestrutura que ligam o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, um que liga o Brasil ao Chile, outro ao Peru, que sofrem com problemas burocráticos nas fronteiras para facilitar o fluxo de mercadorias na região. E também a resistência do Brasil a importar bananas produzidas no Equador.


O evento, feito em parceira com o Instituto Lula e o Ministério das Relações Exteriores do Equador, debateu a integração da América Latina, com a presença do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, da president da Cepal, Alicia Bárcena, o ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, o socólogo brasileiro Emir Sader, entre outras autoridades, representantes de institutições multilaterais, como o Mercosul, a Aliança do Pacífico, a ALBA, parlamentares, embaixadores e pesquisadores.


Leia o discurso escrito de Lula (sem os improvises)


É um privilégio participar deste encontro com representantes de tantos países irmãos, no momento em que se inaugura a sede permanente da UNASUL. Este é um passo extraordinário para concretizar o sonho da integração de nossos povos e países.


Quero felicitar o companheiro Rafael Correa, uma das lideranças mais expressivas do nosso continente e um dos maiores incentivadores desse projeto. Quito tornou-se de fato a Capital da Integração. Aquele belo edifício na Metade do Mundo será, a partir de amanhã, a casa de todos nós.


Saúdo, fraternalmente, o companheiro Ernesto Samper,  novo secretário-geral da UNASUL, que vem contribuir com sua experiência política e reconhecida capacidade de diálogo, qualidades essenciais para conduzir o processo de integração a uma nova etapa, possível e necessária.


Antes de entrar no tema desta conferência, quero prestar homenagem a dois companheiros que não estão mais entre nós, mas sem os quais não teríamos chegado tão longe: Néstor Kirchner e Hugo Chávez.


Cada qual a sua maneira, eles foram personagens fundamentais neste processo, emprestando sua energia, generosidade e visão de futuro para o fortalecimento do Mercosul, a criação da UNASUL e a constituição da CELAC.


Líderes de origens e países distintos, Kirchner e Chávez demonstraram, acima de tudo, espírito de fraternidade e compromisso com o desenvolvimento e a emancipação dos povos da América Latina e do Caribe, dedicando especial atenção para o combate à pobreza e à desigualdade.


Saúdo também a eleição, no último domingo, do companheiro Tabaré Vázquez, para um segundo mandato como presidente do Uruguai. Em sua primeira presidência, o companheiro Tabaré foi um dos grandes artífices da construção da UNASUL.


Sua eleição foi mais uma importante vitória das forças progressistas de nossa região nestes últimos dois anos. Neste período, os governos transformadores sofreram os mais duros ataques, por parte dos adversários internos, e por parte dos porta-vozes mundiais do conservadorismo político e econômico.


Numa interferência totalmente descabida em assuntos internos, analistas de mercado, agências de risco e até organismos multilaterais tentaram desqualificar políticas econômicas soberanas, que evitaram o desemprego e a recessão em nossos países. A imprensa dos grandes centros financeiros demonizou projetos políticos democraticamente eleitos, valendo-se muitas vezes da manipulação dos fatos, da mentira e do preconceito.


Foi um ataque coordenado e tenaz, mas as populações dos nossos países não se deixaram intimidar. Reafirmaram, nas urnas, a decisão de trilhar um novo caminho de desenvolvimento com inclusão social. Rechaçaram o retrocesso ao neoliberalismo e aos modelos excludentes do passado.


O fato é que desde a reeleição de Rafael Correa, no Equador, e da vitória de Nicolás Maduro, na Venezuela, as forças progressistas inauguraram um segundo ciclo de vitórias eleitorais em nossa região.


O respaldo popular aos projetos de mudança se manifestou  no Chile, com Michele Bachelet; em El Salvador, com Salvador Sánchez Cerén, e na Bolívia, com Evo Morales. Na Colômbia, os inimigos do processo de paz foram derrotados pelo  presidente Juan Manuel Santos com o apoio qualificado das forças de esquerda no segundo turno. No Brasil, reelegemos a companheira Dilma Rousseff, numa campanha duríssima, que mobilizou fortemente os setores populares e democráticos da sociedade.


Apesar dos reflexos de uma crise global que não foi criada por nós, mas pela especulação desenfreada nos grandes centros econômicos; apesar da dureza da disputa, com a radicalização cada vez mais estridente da direita; apesar de todas as dificuldades, o povo renovou a confiança nos governos de transformação social.


Mas não devemos nos iludir: os ataques do conservadorismo não se dirigem a cada país isoladamente. São ataques à  soberania de toda uma região do planeta, que está construindo um vigoroso projeto alternativo ao neoliberalismo, lastreado na democracia, no diálogo e na busca de formas mais justas de desenvolvimento.


Meus amigos e minhas amigas,


Neste último decênio, o processo de integração, que havia sido interrompido pelos governos neoliberais, foi retomado com vigor. Afinal, percebemos que os desafios do desenvolvimento são comuns a nossos povos e países, e por isso não podíamos continuar de costas uns para os outros.


Posso dar o testemunho da ação de resgate do Mercosul, da qual participei diretamente em meu período como presidente da República. Foi uma decisão estratégica que anunciamos no primeiro dia de governo, em janeiro de 2003, e que estava em plena sintonia com os anseios de Argentina, Paraguai e Uruguai.


Além de revalorizar o papel das chancelarias, estabelecemos um mecanismo de consulta permanente entre os chefes de Estado. O contato direto entre os presidentes gerou confiança mútua e aprofundou a compreensão sobre a importância da integração para cada país.


Investimos fortemente na redução das assimetrias entre os membros do bloco, elevando de maneira exponencial os recursos do fundo destinado a este fim, o Focem. Isso resultou em importantes obras de melhoria da infraestrutura produtiva e social, beneficiando, sobretudo, as economias menores. Promovemos também acordos de imigração e previdência social no âmbito do bloco.


Em apenas 10 anos, o comércio entre os países do Mercosul passou de US$ 15 bilhões para US$ 66 bilhões. Com o ingresso da Venezuela, o bloco se fortaleceu e as possibilidades de comércio cresceram ainda mais.


Uma expansão comercial semelhante ocorreu em todos os blocos regionais no continente. Em dez anos, as trocas comerciais entre os países da América Latina e Caribe passaram de US$  50 bilhões para US$ 189 bilhões. Mais da metade dessas trocas envolve produtos manufaturados, numa lista diversificada de quase 10 mil itens.


Quero destacar a importância, para as pequenas e médias empresas, das oportunidades geradas pelo comércio no interior do bloco. Estas empresas são fundamentais, em qualquer país, para a geração de renda e a democratização do processo econômico.


Os avanços da integração, no entanto, foram além das relações comerciais. Os empresários dos nossos países estão aprendendo a investir nos países vizinhos, e não apenas a vender e comprar. Grandes empreendimentos regionais estão se constituindo em áreas como aviação, telefonia, serviços financeiros, alimentação, cimento e tecnologia da informação, entre outras.


Até 2004, a troca de investimentos entre países da região correspondia a apenas 4% do investimento direto externo na América Latina e Caribe. Hoje, ultrapassou 14% do total, e pode se ampliar muito mais, se fizermos o que tem de ser feito.


Em dezembro de 2004, na  reunião de presidentes sul-americanos em Cuzco, demos um grande passo político, com a criação da UNASUL. Constituímos um organismo democrático multilateral, sem nenhum tipo de tutela externa.


É muito significativo, do ponto de vista da nossa evolução histórica, que uma das primeiras iniciativas da UNASUL tenha sido a instalação do Conselho Sul-Americano de Defesa. Em breve, estará funcionando, em Quito, a Escola de Defesa Sul-Americana. Com tais medidas corajosas – impensáveis para muitos da minha geração – demarcamos o território da soberania, do diálogo e da paz em nosso continente.


Sempre que foi convocada, a UNASUL construiu soluções de entendimento para conflitos entre países, e ajudou a superar tensões políticas desestabilizadoras.


Em 2008, realizamos na Bahia a cúpula de chefes de estado da América Latina e do Caribe – a nossa primeira reunião sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá. Ali decidimos criar a CELAC, que seria oficialmente constituída na cúpula da Riviera Maya, no México, em 2010.


A constituição da CELAC ampliou ainda mais o espaço de cooperação democrática sobre o qual semeamos o projeto de integração da América Latina e do Caribe.


Somos hoje 33 países com a vontade comum de construir um futuro à altura dos nossos sonhos e possibilidades; e de exercer um papel cada vez mais ativo na comunidade global.


Meus amigos, minhas amigas,


Todos os avanços que mencionei são importantes para a evolução histórica do processo de integração. Mas não são suficientes. Poderíamos e deveríamos ter feito muito mais. A verdade é que o avanço da integração não está a altura do nosso potencial e sobretudo das nossas necessidades. A crise econômica mundial teve um efeito inibidor sobre as iniciativas de integração. Como se tivéssemos que esperar o fim da crise para voltar a tratar da integração. Estou convencido de que é justamente o contrário: quanto mais nos integrarmos, melhores serão as nossas condições para enfrentar e superar os efeitos da crise. A integração não é um problema; ela é parte da solução. Longe de mantê-la congelada, esperando tempos melhores, o que devemos fazer é acelerá-la.


É impressionante constatar, por exemplo, quanto tempo o Brasil viveu de costas para os vizinhos do continente – e creio que o mesmo aconteceu com a maioria dos países da região.


Durante cinco séculos, tivemos mais conexões com as velhas metrópoles e com os Estados Unidos do que entre nós mesmos – na economia, nos transportes, na política e até no âmbito da cultura e do pensamento.


Ficamos apartados uns dos outros até fisicamente.  Imaginem vocês que somente no meu governo, já no século XXI, é que foram construídas as primeiras pontes fluviais ligando o Brasil ao Peru e à Bolívia.


Isso tornou possível a conclusão do Eixo Interoceânico Sul, ligando a costa peruana à Amazônia Brasileira. E também concluímos o Corredor Bioceânico, do porto de Arica, no Chile, ao porto de Santos, no Brasil, passando por território boliviano.


Mas chega a ser inexplicável que, depois de executar duas obras de tamanha importância, não conseguimos ainda viabilizar a circulação de mercadorias por essas estradas. No primeiro caso, falta uma decisão meramente administrativa do Brasil. No segundo, falta um acordo com a Bolívia para o trânsito de caminhões de outros países.


A experiência me ensinou que não basta firmar acordos e anunciar decisões em cúpulas presidenciais. Não raro, depois que os presidentes retornam aos seus países, a foto oficial é o único resultado palpável de uma cumbre.


Para que tais decisões se transformem em fatos, elas não podem cair na rotina dos legislativos, a quem compete aprová-las, nem na burocracia dos governos, a quem  compete implementá-las.


Por isso é tão importante repensar o funcionamento dos nossos parlamentos nacionais no que diz respeito aos acordos assinados pelos chefes de estado.


Cabe a eles examinar as questões concretas da integração, desde os direitos laborais até as relações comercias. Desde o respeito aos direitos humanos até o compartilhamento de tecnologias.


Da mesma forma, os parlamentos devem criar mecanismos especiais, mais ágeis, para a aprovação dos nossos acordos.


Meus amigos, minhas amigas,


Nossa região concentra cerca de 30% do potencial hidrelétrico do planeta. Esta fonte renovável corresponde a 52% da nossa capacidade instalada de geração de eletricidade, que hoje é da ordem de 325 Gigawats. Mas ainda não aproveitamos nem 40% desse potencial, construindo usinas e linhas de transmissão para o aproveitamento integral e solidário deste recurso.


Da mesma forma precisamos integrar a rede de gasodutos e oleodutos, para aproveitar o potencial de combustíveis fósseis, e também estimular e coordenar a geração a partir de outras fontes de energias renováveis: eólica, solar, de biomassa, marinha e geotérmica.


Além disso, para avançar no ritmo necessário à expansão econômica, teremos de ampliar e conectar a rede de comunicação por banda larga entre nossos países .


É muito importante definir novas fontes de financiamento para projetos estratégicos, mesmo aqueles circunscritos ao território de um só país e que têm importância para a região. Neste sentido se impõe o pleno funcionamento do Banco do Sul. Mas também é preciso valorizar mais as fontes já existentes, nacionais e multilaterais, além de aproveitar as oportunidades abertas pelo Novo Banco de Desenvolvimento instituído pelos BRICS.


Cabe aos países mais desenvolvidos, com as maiores economias da região adotarem políticas para facilitar o acesso dos países mais pobres aos seus mercados consumidores.


E me permitam enfatizar outro grande desafio: integrar as cadeias produtivas. Há quem duvide da nossa capacidade para tanto. Mas, se hoje fabricamos automóveis com partes feitas em diferentes países do Mercosul, por que não seríamos capazes de fazer o mesmo com outras cadeias industriais de valor, compartilhadas por diversas nações, contribuindo para superar as assimetrias entre eles?


Esse esforço diz respeito aos governos e suas agências, e também aos empresários, ao setor financeiro e aos sindicatos de trabalhadores. Neste sentido, considero importantíssima a Plataforma Laboral das Américas, que os companheiros sindicalistas de toda a região lançaram em maio, no Chile.


Meus amigos, minhas amigas,


Estes primeiros anos do século XXI marcaram o início de uma nova era para as populações da América Latina e do Caribe. Na maioria dos países, que adotaram políticas ativas de distribuição de renda, geração de empregos e inclusão social, a economia cresceu acima da média mundial.


O desemprego urbano na região, que alcançava 11,1% em 2003, estava reduzido a 6% no terceiro trimestre de 2014. No mesmo período, o salário mínimo teve aumento real de 20% na média dos países latino-americanos.


Estamos tirando nossos países do mapa mundial da fome.


Reduzimos fortemente a pobreza e a desigualdade.


Ampliamos – e muito- o acesso à educação e saúde públicas, ao mesmo tempo em que trabalhamos para melhorar sua qualidade. Enfrentamos o preconceito com corajosas políticas afirmativas. E tudo isso buscando combinar desenvolvimento econômico e social com sustentabilidade ambiental. Em suma, nossos países, cada um ao seu modo, estão distribuindo renda, conhecimento e poder. Isso significa que as populações estão alcançando um novo patamar de direitos, de bem estar e de participação democrática.


Desse patamar não podemos retroceder.


Meus amigos, minha amigas,


Diferentemente do que ocorria no passado, os países da América Latina estavam melhor preparados para enfrentar a crise financeira global desencadeada em 2008.


A maioria de nossos países rejeitou a receita da recessão e corte de investimentos públicos, que ceifou milhões de empregos e arruinou milhões de famílias ao redor do mundo.


Um estudo da Cepal com países selecionados da América Latina e Caribe aponta que, entre 2009 e 2013, tivemos um crescimento médio de 7,8% na geração de empregos. Considerando apenas os empregos formais,  o crescimento foi de 12,5% no período.


Isso mostra o acerto das políticas que adotamos para enfrentar os impactos da crise global – políticas soberanas, decididas sem a ingerência do FMI, cujas imposições infelicitaram toda uma geração de latino-americanos.


Agora estamos em uma nova fase da crise global, marcada pela retração do comércio externo e do fluxo de investimentos a partir dos centros econômicos tradicionais.


Temos feito enorme esforço para superar o papel que nos atribuíram no passado de meros exportadores de produtos primários. O caminho para o futuro passa pelo conhecimento, pela identificação de oportunidades e complementariedades no processo produtivo.


Essa transição é crucial, não apenas para desenvolver a produção e o mercado intrarregional, mas para alcançarmos maior competitividade na disputa pelos mercados externos.


Temos de produzir com mais eficiência, incorporando avanços tecnológicos para agregar valor à nossa produção. Precisamos investir em infraestrutura, para reduzir os custos de logística e energia; e equacionar os mecanismos de financiamento da produção.


Por isso mesmo, nossa capacidade de avançar na integração será determinante para a maneira como nossos países vão enfrentar a nova etapa da crise.


A América Latina e o Caribe estão conquistando um novo lugar no mundo. Estamos deixando de ser uma peça menor nas relações internacionais. E isso contraria interesses estabelecidos, que reagem duramente ao nosso crescimento comercial, econômico e político.


Isoladamente, somos mais frágeis nas disputas políticas e econômicas de ordem global. Juntos, constituímos uma potência, com uma população de 600 milhões de habitantes e um PIB superior a 5,5 trilhões de dólares.


Juntos, e somente juntos, temos a possibilidade real de influenciar na reforma dos organismos multilaterais e de contribuir para uma nova ordem política e econômica global mais justa, equilibrada e democrática.


Meus amigos, minhas amigas,


O verdadeiro sentido da integração manifesta-se concretamente na ampliação dos direitos e das oportunidades de cada cidadão, que não devem se limitar mais ao seu próprio país.


Os exemplos históricos de blocos regionais no mundo mostram que eles se consolidam quando seus habitantes podem trabalhar, estudar, empreender e investir em todos os países.


Tão importante quanto a integração política e econômica é a integração social; a aproximação, o convívio, o intercâmbio, a aliança entre os nossos povos.


Quando o cidadão comum se sentir parte integrante e beneficiário direto desse processo, aí, sim – estaremos forjando uma verdadeira vontade popular pela integração; uma nova cidadania, conscientemente latino-americana.


Para isso é imprescindível fomentar o diálogo e a cooperação entre as nossas universidades, os nossos cientistas, artistas e os mais diversos movimentos sociais.


A nova etapa do processo de integração exige uma visão de longo prazo sobre as questões estruturais do processo de integração. Planejar o futuro com o objetivo de dar um salto de qualidade em nossa região.


Hoje, nosso principal desafio é construir um pensamento estratégico latino-americano e caribenho e, a partir dele, um projeto integrador mais ousado, que aproveite toda essa riqueza histórica, material e cultural.

 fonte:conversaafiada.com

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eleitores de Dilma estão habilitados a mover ação contra Aécio Neves




Janio de Freitas comenta declaração de tucano de que perdeu eleição "para organização criminosa"

 
O jornalista Janio de Freitas, em sua coluna desta terça-feira (2) na Folha de S. Paulo, destaca a declaração do candidato derrotado à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), que afirmou neste fim de semana que perdeu a eleição "para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está."
De acordo com o jornalista da Folha, de fato Aécio não perdeu para um partido político. "Perdeu para os eleitores, petistas, peemedebistas e nada disso, que lhe negaram  o voto e o deram a Dilma". Ainda segundo Jânio de Freitas, qualquer um deles está agora habilitado, desde que capaz de alguma prova de adesão a Dilma, "a mover uma ação criminal contra Aécio Neves por difamação, calúnia, injúria, e cobrar-lhe uma indenização por danos morais."
www.folhavitoria.com.br
Jânio de Freitas prossegue afirmando que uma foto em manifestação, uma doação, um cartaz na janela ou no carro "podem se juntar às demais provas para dar uma resposta à acusação de Aécio Neves tão gratuitamente agressiva e tão agressivamente insultuosa."
O jornalista destaca que é difícil admitir que Aécio "esteja consciente do papel que está exercendo. A situação social do Brasil não é de permitir que acirramentos, incitações e disseminações de ódios levem apenas a efeitos inócuos, de mera propaganda política."
Jânio destaca ainda que, se Aécio acha que está sendo porta-voz de um sentimento de indignação, pior ainda: "fica evidente que não sabe mesmo o que está fazendo, e aonde isso o leva."