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domingo, 21 de julho de 2013

CME: NOVOS CONSELHEIROS TOMAM POSSE

 No dia 16 de julho foram empossados os novos conselheiros, titular e suplente, do Conselho Municipal de Educação do Rio de Janeiro, em vagas referentes aos representantes da sociedade civil, sendo seis titulares e seis suplentes e em mesmo número os representantes governamentais. Este fato representa um grande avanço para a categoria dos profissionais de educação do município do Rio de Janeiro.
Para uma das vagas de titular dos representantes dos trabalhadores em educação,  foi escolhido em uma assembleia da categoria e indicado pelo SEPE-RJ, Sindicato Estadual Dos Profissionais de Educação do RJ, o professor Elson Simões de Paiva, professor da rede Municipal da E.M. José do Patrocínio.
O retorno do SEPE-RJ ao Conselho, neste momento, é muito importante, tendo em vista que o mesmo não se propôs a participar por quatro anos deste fórum. Minha proposta de participação e atuação dentro do Conselho Municipal de Educação se baseia em que, a categoria de profissionais de educação volte a ter voz e voto dentro de um fórum muito importante de orientações, consulta e questionamentos referentes à política educacional do município do Rio de Janeiro, impedindo assim que o poder governamental faça qualquer tipo de ação na educação sem que os profissionais de educação sejam consultados e ouvidos.
Outras entidades de educação fazem parte do C.M.E.R.J. tais como a UERJ e o SINPRO-RIO.

CARTA ABERTA AO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO

Ao Ilmo. Sr. Prof. Roberto Guimarães Boclin
Presidente do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro

Prezado Conselheiro,

Solicitamos a participação da representação do SINDSERJ na próxima reunião do CEERJ, dia 23/7/2013, em virtude da enorme preocupação causada na sociedade, acerca do projeto de deliberação deste Conselho que propõe a redução da carga horária dos estudantes de ensino médio da rede estadual.
Consideramos que essa discussão não pode ser feita a portas fechadas. Os educadores, estudantes, pais e a sociedade civil possuem o direito de opinarem sobre o currículo escolar. Acreditamos, portanto, ser imprescindível a convocação de audiências públicas que promovam a discussão com a sociedade deste tema que é de interesse público, pois, interfere diretamente sobre a formação dos nossos jovens.
Ficamos indignados com esse projeto que ora tramita na Comissão Permanente de Legislação e Normas do Conselho propondo que as Instituições de Educação Básica pertencentes à Rede Pública Estadual de Ensino do Rio de Janeiro possam, em “caráter experimental”, utilizar a modalidade semipresencial na organização pedagógica e curricular de seus cursos, no limite de 20% da carga horária total. O SINDSERJ, em Audiência Pública na Comissão de Educação da ALERJ, presidida pelo Deputado Comte Bittencourt, ocorrida em novembro de 2012, já havia denunciado a intenção da SEEDUC em reduzir a carga horária do Ensino Médio.
Tal projeto, se for aprovado, se constituirá num sério golpe contra os interesses públicos que pugnam por uma Educação Democrática, Inclusiva e de Qualidade Social.
A expectativa da sociedade é que esse Conselho se posicione em defesa da Educação e, consequentemente, rejeite tal projeto.
Manifestamos, aqui, nossa solidariedade às demais entidades da sociedade civil, SEPE/RJ – Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro e FETEERJ, que já se pronunciaram contra essa deliberação a ser votada.

Atenciosamente, 

Nilton Soares de Souza Neto
Presidente

Rio de Janeiro, 19 de julho de 2013.

Rua Miguel Couto, 134, sala 705, Centro, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20070-030.
Tel.: (21) 31267586
Fax: (21) 22634239
Correio eletrônico: sindserj@gmail.com
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domingo, 14 de julho de 2013

Diretor da CTB e do Sindserj participa de debate sobre as manifestações populares

José Carlos Madureira, diretor do Sindserj, participou do programa CONFRONTO MANCHETE, na Rádio Manchete. 
Segue, abaixo, o link do áudio do programa CONFRONTO MANCHETE (Rádio Manchete), dia 26 de junho, sobre as manifestações que o povo brasileiro tem promovido pelas ruas do país. Em anexo, foto do programa.

CONVIDADOS:
*José Carlos Madureira, sociólogo e diretor do Sindicatos dos Sociólogos do Estado do Rio de Janeiro
*Renato Cinco, vereador do PSOL 
*Gerusa Lopes, advogada e manifestante

ÁUDIO: http://www.podcasts.com/confronto_manchete_05-fev-2013_9116bf25e/episode/MANIFESTACOES-NAS-RUAS-DO-BRASIL-3497

FOTO NO ESTÚDIO DA RÁDIO. Da esquerda para a direita: Gerusa, Renato, Diego e Madureira
 


Presidente do Sindserj participa de debate sobre a legislação trabalhista

Nilton Soares, presidente do Sindserj, participou do debate sobre a legislação trabalhista no Programa Conexão Futura, Canal Futura.
Assista ao vídeo no Youtube.

Link:

PASSEATA DO DIA 11 DE JULHO REÚNE MAIS DE 10 MIL

Passeata de 11 de julho, na av. Rio branco, Centro, Rio de Janeiro, reuniu nove centrais sindicais (CTB, CUT, UGT, CONLUTAS, FORÇA SINDICAL, CGTB, INTERSINDICAL, NCST, CSB), sindicatos, entidades da sociedade civil e partidos políticos de esquerda. A passeata reuniu mais de 10 mil pessoas.
Diversas categorias de trabalhadores paralisaram suas atividades no Rio de Janeiro; desde 4h da manhã o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect-RJ) paralisou a central de distribuição em Benfica e conclamou todos à luta do povo; os metalúrgicos a partir de 6h da manhã pararam diversas fábricas, entre elas a Nuclep e o estaleiro EISA. Segundo o sindicato dos bancários, cerca de 1,5 mil bancários não trabalharam nesta quinta-feira, tendo sido fechadas 60 agências, principalmente no centro do Rio. 
Esse dia de manifestações no Rio de Janeiro fortaleceu a luta dos trabalhadores e do povo brasileiro por mudanças democráticas estruturantes. 
O Movimento Social repudiou a atitude provocadora de grupos neofascistas, que encapuzados, agrediram vários manifestantes e jogaram bombas na polícia militar, na vã tentativa de desqualificar a vitoriosa e unitária passeata dos trabalhadores. 

O movimento sai mais forte deste 11 de julho.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Stedile: Empreiteiras e Globo se apropriaram de gastos exagerados da Copa

publicado em 25 de junho de 2013 às 16:19
por Nilton Viana, no Brasil de Fato

É hora do governo aliar-se ao povo ou pagará a fatura no futuro”. Essa é uma das avaliações de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST sobre as mobilizações em todo o país.
Segundo ele, há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. “As pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais”, afirma.
Para o dirigente do MST, as redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe Livre, que soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo.
Nesta exclusiva ao Brasil de Fato, Stedile fala sobre o caráter dessas mobilizações, e faz um chamamento: devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para as ruas disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência  da luta de classes. “A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil”, constata.
E faz um alerta: o mais grave foi que os partidos de esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esse métodos. Envelheceram e se burocratizaram. As forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas as suas energias para ir à rua, pois está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. “Precisamos explicar para o povo quem são seus principais inimigos”.
Como você analisa as recentes manifestações que vem sacudindo o Brasil nas últimas semanas? Qual é base econômica para elas terem acontecido?

Há muitas avaliações de porque estarem ocorrendo estas manifestações. Me somo à analise da professora Erminia Maricato, que é nossa maior especialista em temas urbanos e já atuou no Ministério das Cidades na gestão Olivio Dutra.
Ela defende a tese de que há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras provocadas por essa etapa do capitalismo financeiro. Houve uma enorme especulação imobiliária que elevou os preços dos alugueis e dos terrenos em 150% nos últimos três anos.
O capital financiou sem nenhum controle governamental a venda de automóveis, para enviar dinheiro pro exterior e transformou nosso trânsito um caos. E nos últimos dez anos não houve investimento em transporte público. O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, empurrou os pobres para as periferias, sem condições de infraestrutura.
Tudo isso gerou uma crise estrutural em que as pessoas estão vivendo num inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais.
Somado a isso, a péssima qualidade dos serviços públicos, em especial na saúde, e mesmo na educação, desde a escola fundamental, ensino médio, em que os estudantes saem sem saber fazer uma redação. E o ensino superior virou lojas de vendas de diplomas a prestações, onde estão 70% dos estudantes universitários.
E do ponto de vista político, por que aconteceu?

Os quinze anos de neoliberalismo e mais os últimos dez anos de um governo de composição de classes transformou a forma de fazer política refém apenas dos interesses do capital. Os partidos ficaram velhos em suas práticas e se transformaram em meras siglas que aglutinam, em sua maioria, oportunistas para ascender a cargos públicos ou disputar recursos públicos para seus interesses.
Toda juventude nascida depois das diretas já não teve oportunidade de participar da política. Hoje, para disputar qualquer cargo de vereador, por exemplo, o sujeito precisa ter mais de 1 milhão de reais. Deputado custa ao redor de 10 milhões de reais. Os capitalistas pagam, e depois os políticos obedecem. A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil.
Mas o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. E, portanto, gerou na juventude uma ojeriza a forma dos partidos atuarem. E eles tem razão. A juventude não é apolítica, ao contrário, tanto é que levou a política às ruas, mesmo sem ter consciência do seu significado.
Estão dizendo que não aguentam mais assistir na televisão essas práticas políticas, que seqüestraram o voto das pessoas, baseadas na mentira e na manipulação. E os partidos de esquerda precisam reapreender que seu papel é organizar a luta social e politizar a classe trabalhadora. Senão cairão na vala comum da história.
E porque as manifestações eclodiram somente agora?

Provavelmente tenha sido a soma de diversos fatores de caráter da psicologia de massas, mais do que alguma decisão política planejada. Somou-se todo o clima que comentei, mais as denúncias de superfaturamento das obras dos estádios, que é um acinte ao povo. Vejam  alguns episódios. A Rede Globo recebeu do governo do estado do Rio e da prefeitura, 20 milhões de reais de dinheiro público para organizar o showzinho de apenas duas horas, no sorteio dos jogos da Copa das Confederações.
O estádio de Brasília custou 1,4 bilhão de reais e não tem ônibus na cidade! A ditadura explícita e as maracutais que a FIFA/CBF impuseram e os governos se submeteram. A reinauguração do Maracanã foi um tapa no povo brasileiro. As fotos eram claras: no maior templo do futebol mundial não havia nenhum negro ou mestiço!
E aí o aumento das tarifas de ônibus foi apenas a faísca para ascender o sentimento generalizado de revolta, de indignação. A gasolina para a faísca veio do governo Gerlado Alckmin, que protegido pela mídia que ele financia e acostumado a bater no povo impunemente, como fez no Pinheirinho, jogou sua polícia para a barbárie. Aí todo mundo reagiu.
Ainda bem que a juventude acordou. E nisso houve o mérito do Movimento Passe Livre, que soube capitalizar essa insatisfação popular e organizou os protestos na hora certa.
Por que a classe trabalhadora ainda não foi à rua?
É verdade, a classe trabalhadora ainda não foi para a rua. Quem está na rua são os filhos da classe média, da classe média baixa, e também alguns jovens do que o André Singer chamaria de sub-proletariado, que estudam e trabalham no setor de serviços, que melhoraram as condições de consumo, mas querem ser ouvidos. Esses últimos apareceram mais em outras capitais e nas periferias.
A redução da tarifa  interessava muito a todo povo e esse foi o acerto do MPL. Soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo. E o povo apoiou as manifestações e isso está expresso nos índices de popularidade dos jovens, sobretudo quando foram reprimidos.
A classe trabalhadora demora a se mover, mas quando se move, afeta diretamente ao capital. Coisa que ainda não começou a acontecer. Acho que as organizações que fazem a mediação com a classe trabalhadora ainda não compreenderam o momento e estão um pouco tímidas. Mas acho que enquanto classe, ela também está disposta a lutar. Veja que o número de greves por melhorias salariais já recuperou os padrões da década de 80.
Acho que é apenas uma questão de tempo, e se as mediações acertarem nas bandeiras que possam motivar a classe a se mexer. Nos últimos dias, já se percebe que em algumas cidades menores, e nas periferias das grandes cidades, já começam a ter manifestações com bandeiras de reivindicações bem localizadas. E isso é muito importante.

E vocês do MST e camponeses também não se mexeram ainda.
É verdade. Nas capitais onde temos assentamentos e agricultores familiares mais próximos já estamos participando. E inclusive sou testemunha de que fomos muito bem recebidos com nossa bandeira vermelha, com nossa reivindicação de Reforma Agrária e alimentos saudáveis e baratos para todo povo.
Acho que nas próximas semanas poderá haver uma adesão maior, inclusive realizando manifestações dos camponeses nas rodovias e municípios do interior. Na nossa militância  está todo mundo doido para entrar na briga e se mobilizar. Espero que também se mexam logo.

Na sua opinião, qual é a origem da violência que tem acontecido em algumas manifestações?
Primeiro vamos relativizar. A burguesia através de suas televisões tem usado a tática de assustar o povo colocando apenas a propaganda dos baderneiros e quebra-quebra.  São minoritários e insignificantes diante das milhares de pessoas que se mobilizaram.
Para a direita interessa colocar no imaginário da população que isso é apenas bagunça e, se no final se tiver caos, colocar a culpa no governo e exigir a presença das forças armadas. Espero que o governo não cometa essa besteira de chamar a guarda nacional e as forças armadas para reprimir as manifestações. É tudo o que a direita sonha!
Quem está provocando as cenas de violência é a forma de intervenção da Policia Militar. A PM foi preparada desde a ditadura militar para tratar o povo sempre como inimigo. E nos estados governados pelos tucanos (SP, RJ e MG), ainda tem a promessa de impunidade.
Há grupos direitistas organizados com orientação de fazer provocações e saques. Em São Paulo atuaram grupos fascistas e leões de chácaras contratados. No Rio de Janeiro atuaram as milícias organizadas que protegem seus políticos conservadores. E, claro, há também um substrato de lumpesinato que aparece em qualquer mobilização popular, seja nos estádios, carnaval, até em festa de igreja tentando tirar seus proveitos.
Há então uma luta de classes nas ruas ou é apenas a juventude manifestando sua indignação?

É claro que há uma luta de classes na rua. Embora ainda concentrada na disputa ideológica. E o que é mais grave, a própria juventude mobilizada, por sua origem de classe, não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica.
Vejam, eles estão fazendo política da melhor forma possível, nas ruas. E ai escrevem nos cartazes: somos contra os partidos e a política? Por isso tem sido tão difusa as mensagens nos cartazes. Está ocorrendo em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. Os jovens estão sendo disputados pelas idéias da direita e pela esquerda. Pelos capitalistas e pela classe trabalhadora.
Por outro lado, são evidentes os sinais da direita muito bem articulada, e de seus serviços de inteligência, que usam a internet, se escondem atrás das mascaras e procuram criar ondas de boatos e opiniões pela internet. De repente, uma mensagem estranha alcança milhares de mensagens. E ai se passa a difundir o resultado como se ela fosse a expressão da maioria.
Esses mecanismos de manipulação foram usados pela CIA e o departamento de estado Estadunidense na primavera árabe, na tentativa de desestabilização da Venezuela, na guerra da Síria. E é claro que eles estão operando aqui também para alcançar os seus objetivos.
E quais são os objetivos da direita e suas propostas?

A classe dominante, os capitalistas, os interesses do império Estadunidense e seus porta-vozes ideológicos que aparecem na televisão todos os dias, tem um grande objetivo: desgastar ao máximo o governo Dilma, enfraquecer as formas organizativas da classe trabalhadora, derrotar qualquer propostas de mudanças estruturais na sociedade brasileira e ganhar as eleições de 2014, para recompor uma hegemonia total no comando do estado brasileiro, que agora está em disputa.
Para alcançar esses objetivos eles estão ainda tateando, alternando suas táticas. As vezes provocam a violência, para desfocar os objetivos dos jovens. As vezes colocam nos cartazes dos jovens a sua mensagem. Por exemplo, a manifestação do sábado em São Paulo, embora pequena, foi totalmente manipulada por setores direitistas que pautaram apenas a luta contra a PEC 37, com cartazes estranhamente iguais e palavras de ordem iguais.
Certamente a maioria dos jovens nem sabem do que se trata. E é um tema secundário para o povo, mas a direita está tentando levantar as bandeiras da moralidade, como fez  a UDN (União Democrática Nacional) em tempos passados. Isso que já estão fazendo no Congresso, logo logo, vão levar às ruas.
Tenho visto nas redes sociais controladas pela direita que suas bandeiras, além da PEC 37, são a saída do Renan do Senado, CPI e transparência dos gastos da Copa, declarar a corrupção crime hediondo, e fim do Foro especial para os políticos. Já os grupos mais fascistas ensaiam Fora Dilma e abaixo-assinados pelo impechment.
Felizmente essas bandeiras não têm nada ver com as condições de vida das massas, ainda que elas possam ser manipuladas pela mídia. E objetivamente podem ser um tiro no pé. Afinal, é a burguesia brasileira, seus empresários e políticos que são os maiores corruptos e corruptores. Quem se apropriou dos gastos exagerados da Copa? A Rede Globo e as empreiteiras!
Quais os desafios que estão colocados para a classe trabalhadora e as organizações populares e partidos de esquerda?

Os desafios são muitos. Primeiro devemos ter consciência da natureza dessas manifestações, e irmos todos para a rua, disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência da luta de classes. Segundo, a classe trabalhadora precisa se mover. Ir para a rua, manifestar-se nas fábricas, campos e construções, como diria Geraldo Vandré. Levantar suas demandas para resolver os problemas concretos da classe, do ponto de vista econômico e político.
Terceiro, precisamos explicar para o povo quem são seus principais inimigos. E agora são os bancos, as empresas transnacionais que tomaram conta de nossa economia, os latifundiários do agronegócio, e os especuladores.
Precisamos tomar a iniciativa de pautar o debate na sociedade e exigir a aprovação do projeto de redução da jornada de trabalho para 40 horas; exigir que a prioridade de investimentos públicos seja em saúde, educação, Reforma Agrária.
Mas para isso o governo precisa cortar juros e deslocar os recursos do superávit primário, aqueles 200 bilhões de reais que todo ano vão para apenas 20 mil ricos, rentistas, credores de uma dívida interna que nunca fizemos, deslocar para investimentos produtivos e sociais. E é isso que a luta de classes coloca para o governo Dilma: os recursos públicos irão para a burguesia rentista ou para resolver os problemas do povo?
Aprovar em regime de urgência para que vigore nas próximas eleições uma reforma política de fôlego, que no mínimo institua o financiamento público exclusivo da campanha. Direito a revogação de mandatos e plebiscitos populares auto-convocados.
Precisamos de uma reforma tributária que volte a cobrar ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) das exportações primárias, penalize a riqueza dos ricos e amenize os impostos dos pobres, que são os que mais pagam.
Precisamos que o governo suspenda os leilões do petróleo e todas as concessões privatizantes de minérios e outras áreas públicas. De nada adianta aplicar todo royalties do petróleo em educação, se os royalties representarão apenas 8% da renda petroleira, e os outros 92% irão para as empresas transnacionais que vão ficar com o petróleo nos leilões!
Uma reforma urbana estrutural, que volte a priorizar o transporte público, de qualidade e com tarifa zero. Já está provado que não é caro e nem difícil instituir transporte gratuito para as massas das capitais. Controlar a especulação imobiliária.
E finalmente, precisamos aproveitar e aprovar o projeto da Conferência Nacional de Comunicação, amplamente representativa, de democratização dos meios de comunicação. Para acabar com o monopólio da Globo e para que o povo e suas organizações populares tenham ampla acesso a se comunicar, criar seus próprios meios de comunicação, com  recursos públicos. Ouvi de diversos movimentos da juventude que estão articulando as marchas, que talvez essa seja a única bandeira que unifica a todos: Abaixo ao monopólio da Globo!
Mas para que essas bandeiras tenham ressonância na sociedade e pressionem o governo e os políticos, somente acontecerá se a classe trabalhadora se mover.
O que o governo deveria  fazer agora?

Espero que o governo tenha a sensibilidade e a inteligência de aproveitar esse apoio, esse clamor que vem das ruas, que é apenas uma síntese de uma consciência difusa na sociedade, que é hora de mudar. E mudar a favor do povo.
E para isso o governo precisa enfrentar a classe dominante, em todos os aspectos. Enfrentar a burguesia rentista, deslocando os pagamentos de juros para investimentos em áreas que resolvam os problemas do povo. Promover logo as reformas políticas, tributárias. Encaminhar a aprovação do projeto de democratização dos meios de comunicação. Criar mecanismos para investimento pesados em transporte público, que encaminhem para a tarifa zero. Acelerar a Reforma Agrária e um plano de produção de alimentos sadios para o mercado interno.
Garantir logo a aplicação de 10% do PIB em recursos públicos para a educação em todos os níveis, desde as cirandas infantis nas grandes cidades, ensino fundamental de qualidade, até a universalização do acesso dos jovens à universidade pública.
Sem isso, haverá uma decepção, e o governo entregará para a direita a iniciativa das bandeiras, que levarão a novas manifestações visando desgastar o governo até as eleições de 2014. É hora do governo aliar-se ao povo, ou pagará a fatura no futuro.
E que perspectivas essas mobilizações podem levar para o país nos próximos meses?

Tudo ainda é uma incógnita. Porque os jovens e as massas estão em disputa. Por isso que as forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas suas energias para ir à rua. Manifestar-se, colocar as bandeiras de luta de reformas que interessam ao povo, porque a direita vai fazer a mesma coisa e colocar as suas bandeiras conservadoras, atrasadas, de criminalização e estigmatização das idéias de mudanças sociais.
Estamos em plena batalha ideológica que ninguém sabe ainda qual será o resultado. Em cada cidade, cada manifestação, precisamos disputar corações e mentes. E quem não entrar, ficará de fora da história.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Morre Ruy Cezar, ex-presidente da UNE

Morreu na manhã desta sexta-feira (28), em Salvador, o produtor cultural baiano e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Ruy Cezar, aos 57 anos. Ele estava internado no Hospital Aliança por conta de um câncer que enfrentava há cerca de dois anos.

Ruy foi um dos principais líderes estudantis brasileiros e atuou no movimento de reconstrução da UNE, em 1979, durante o período da Ditadura Militar (1964-1985). Naquele ano, ele se tornou o primeiro presidente da entidade pós-reorganização e chegou a ser preso e torturado pelo regime.

Em nota, UNE lamenta morte do seu ex-presidente Ruy Cezar

Membro do Comitê Central do PCdoB, amigo de Ruy e também ex-presidente da UNE, Javier Alfaya lamentou a perda e avaliou como vanguardista a militância do produtor. Para Affaya, é gigante o legado deixado por Ruy, principalmente, para os movimentos sociais do país.

“Ele foi um orgulho para a minha geração, uma figura referencial e importante. Ruy representou uma renovação na esquerda brasileira e abriu muitas vertentes para a militância. Saiu do perfil de líder das causas imediatas e entrou em um terreno da subjetividade, das ideias”, afirmou.

A chefe de gabinete da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (SETRE), Olívia Santana, também comentou a morte de Ruy. Através das redes sociais, ela escreveu: “[a morte dele é] Sem dúvida, uma grande perda para a Educação e para a Cultura da Bahia e do Brasil”.

A Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA) emitiu uma nota em que “lamenta profundamente o falecimento” do produtor.

Ruy Cezar se formou em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia e se dedicou ao estudo da Psicologia e Pedagogia Infantil. Atualmente, ele estava à frente da escola infantil e produtora Via Magia, que funciona em Salvador.

Ele também teve participação na organização do projeto conhecido como Mercado Cultural e do Fórum Cultural Mundial.

Ruy era casado e deixa quatro filhos. O corpo será cremado no sábado (29), no cemitério Jardim da Saudade, localizado no bairro de Brotas, na capital baiana.

De Salvador,
Erikson Walla

Portal Vermelho
http://www.vermelho.org.br/ba/noticia.php?id_noticia=217280&id_secao=58

Dossiê Jango, um alerta democrático de valor permanente

O outro lado da história do golpe cívico-militar de 1964 vai aos cinemas brasileiros no dia 5 de julho de 2013: o filme Dossiê Jango, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle. Vem bem a calhar nestes dias onde o fantasma de mais um golpe da direita ronda o cenário político brasileiro.

Por José Carlos Ruy


O filme foi premiado, na última sexta-feira (21) no 17° Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM 2013), na categoria DOC-FAM, vencendo os juris Popular e Oficial, como melhor filme. Antes, já havia sido premiado no Festival do Rio 2012 (melhor documentário Júri Popular) e na Mostra Tiradentes 2013 (melhor longa metragem Júri Popular).

O golpe de 1964 encerrou a limitada democracia da Constituição de 1946 e deu início à longa e brutal ditadura militar que infelicitou o Brasil durante as duas décadas seguintes, encerrada apenas em 1985. O fim da ditadura, entretanto, foi marcado pelo pacto que devolveu a presidência da República aos civis mas manteve intactos grandes interesses políticos e econômicos de gente que esteve no centro da conspiração para depor João Goulart, rasgar a constituição, e se mantiveram à frente do Estado brasileiro nas décadas seguintes, forças que somente foram seriamente contestadas depois da eleição de Luís Inácio Lula da Silva que, em 2002, abriu uma nota etapa na história brasileira, prenhe de possibilidades de uma real e profunda democratização do país.

Com Dossiê Jango, o diretor Paulo Henrique Fontenelle não quer apresentar a história parada no tempo, mas abrir um importante debate sobre a democracia brasileira e a ação da repressão militar, colocando o foco sobre as fortes suspeitas de que o ex-presidente teria sido assassinado em 6 de dezembro de 1976 a mando das forças fascistas que temiam sua volta ao cenário político brasileiro.

Depois de seu afastamento da presidência da República, João Goulart (1919-1976) viveu no exílio, sobretudo no Uruguai. Oficialmente, ele morreu de ataque cardíaco quando - passados dez anos do golpe e da cassação de seus direitos políticos - ele se preparava para voltar ao Brasil. Morto, foi enterrado sem que fosse feita uma autópsia, e o cortejo fúnebre foi vigiado pelo famigerado Serviço Nacional de Inteligência (SNI). Mais: a ditadura puniu os oficiais que autorizaram seu sepultamento em território brasileiro, e o médico que assinou a certidão de óbito era um pediatra.

A pesquisa para a realização do documentário foi intensa. Ela envolve desde documentos do serviço de inteligência do Uruguai, do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), e traz inúmeras gravações e depoimentos de líderes políticos e outras pessoas da convivência de Goulart. Com base neles, Paulo Henrique Fontenelle reforça as suspeitas sobre a morte do ex-presidente, da mesma maneira como outros importantes ex-exilados, também mortos misteriosamente naquele mesmo ano de 1976; o principal deles é o também ex-presidente Juscelino Kubitscheck, vítima de um suspeitíssimo acidente ocorrido na rodovia Dutra.

Uma série de pessoas envolvidas com Jango tiveram mortes suspeitas, como o médico legista autor de seu laudo, ou o empresário uruguaio e seu amigo, Enrique Foch Diaz, que escreveu o livro João Goulart: El Crimen Perfecto, onde dizia que Jango teria sido assassinado. Foch deixou uma gravação, em fita cassete, onde listou outras mortes relacionadas à Goulart. Foch morreu, em circunstâncias suspeitas, poucas semanas depois de fazer a gravação.

Mas a suspeita maior do assassinato de Goulart está baseada no depoimento do ex-agente do serviço secreto da ditadura uruguaia, Mario Neira Barreiro, preso no Rio Grande do Sul desde 2003. Segundo ele, Goulart foi assassinado por um conluio entre as polícias brasileira e uruguaia. Segundo sua versão, que apareceu em 2008, em entrevistas para a TV Senado e para a Folha de S. Paulo, a ordem para o assassinato de Goulart veio do torturador Sérgio Fleury, do DOPS de São Paulo, que agia autorização do então general-presidente Ernesto Geisel. Em entrevista ao diretor de Dossiê Jango, o ex-policial Barreiro contou como os agentes da repressão trocaram a medicação que o ex-presidente tomava regularmente, para o coração, por uma substância química letal, capaz de provocar um infarto fulminante.

As revelações do filme são tão grandes que a Comissão da Verdade do Rio antecipou-se a seu lançamento, apresentando uma sessão exclusiva no dia 28 de junho.

Às vésperas dos 50º aniversário do golpe cívico-militar que iniciou a ditadura de 1964, Dossiê Jango vai provocar um previsível debate. Vai além disso. É uma didática demonstração da maneira como a direita brasileira, que nada fica a dever em termos de brutalidade às suas congêneres europeias, enfrenta políticos democratas, progressistas e nacionalistas que ameaçam seus privilégios.

A ação nefasta dessa direita antipopular, antinacional e antidemocrática está mais uma vez em pauta e a história do golpe de Estado de 1964 precisa ser examinada para lembrar, às gerações mais jovens, a maneira como os fascistas agem no Brasil, disfarçando seu golpismo e seu antidemocratismo com juras de amor à pátria, ao povo e à democracia. Neste sentido, Dossiê Jango é um antidoto democrático de valor permanente. “Investigamos a história a fundo. Queremos reabrir essa discussão”, diz o diretor Paulo Henrique Fontenelle.

Fonte: Portal Vermelho
http://vermelho.org.br/prosapoesiaearte/noticia.php?id_noticia=217302&id_secao=285

Partidos de esquerda criam Fórum para defender a democracia

Os dirigentes dos partidos de esquerda da base aliada do governo Dilma (PCdoB, PT, PSB e PDT) reuniram-se, nesta sexta-feira (28), na sede do Comitê Central do PCdoB para definir a estratégia diante da atual conjuntura política.

Em entrevista, Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, informou que a reunião inaugura a reativação do encontro dos quatro partidos. “O principal resultado desta reunião é a criação do Fórum Nacional em Defesa da Democracia e do Plebiscito. Um espaço que foi debatido e construído pelos quatro partidos presentes”.

Na oportunidade, foi consenso, entre os partidos, que será deflagrada uma campanha nacional pelo plebiscito. Além disso, já está agendada nova reunião para a próxima quarta-feira (3) em Brasília.

Questionado sobre qual o caráter do fórum, o dirigente comunista pontuou que “o espaço terá caráter consultivo, mais amplo. Está aberto a ouvir os demais partidos da base e as lideranças nacionais dos movimentos sociais e sindical. Ou seja, será um espaço de construção de uma ação comum entre as forças que compõem o fórum”.

Renato ainda frisou que a questão democrática é muito importante para os partidos. “O país vive uma situação de ampla democracia e pela posição da presidenta Dilma, dentro dos cinco pactos propostos por ela, um dos pactos mais importantes e que se traduz no plano político é a proposta do plebiscito. E por que é importante? Porque ouvir o povo significa ouvir as necessidades vividas por ele.”

O presidente do PCdoB explicou que no caso da reforma política, o Congresso sempre encontrou muita dificuldade para pensar uma saída para esta questão. “Entendemos a consulta pública como um espaço para que o povo possa se pronunciar sobre algumas questões balizadoras, para usar um termo da presidenta Dilma. Destacando que o plebiscito não é para entrar nos detalhes, mas sim para dar consistência ao processo”, ressaltou.

O dirigente comunista destacou ainda que o Fórum defende que a reforma política deve ter dois pontos centrais: financiamento para as campanhas e o sistema de representação. “Os partidos de esquerda concordam que a reforma política deve implementar o financiamento exclusivamente público das campanhas. E sobre o sistema de representação, os quatro partidos concordaram em defender o proporcional com listas, que serão definidas pelos partidos de forma democrática”, salientou.

Oposição teme a voz das ruas

Renato Rabelo destacou que “a posição ouvida e lida nos meios de comunicação só reflete a posição da oposição conservadora”. Ele esclarece que quem defende o referendo é, justamente, estes setores e alerta: “O referendo significa ao povo aprovar uma proposta de reforma política que será definida pelo Congresso, mas até hoje o Congresso não conseguiu firmar uma proposta para está questão”.

O dirigente questiona: “Por que não podemos ouvir a população para uma questão tão importante e que interfere na vida de todos? Por que temer? Os partidos entendem que o povo precisa ser ouvido e deve participar da construção desse espaço”, finalizou Renato Rabelo.
fONTE:
http://www.vermelho.org.br/radio/noticia.php?id_noticia=217309&id_secao=326

Centrais sindicais fazem paralisação conjunta no dia 11 de julho

Da Folha de S. Paulo
CLAUDIA ROLLI
Em reunião na manhã dia 25/6, terça-feira, as centrais sindicais definiram o dia 11 de julho como data para os protestos e as paralisações que farão em todo o país.
"Será um dia nacional de luta com greves, manifestações, passeatas em pontos de grande concentração em todos os Estados", disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. "Vamos parar contra a inflação e para pedir também mudanças na política econômica do governo."
Conforme a Folha antecipou na edição desta terça-feira, inicialmente cinco centrais sindicais decidiram realizar os atos para pedir a retomada das negociações da pauta dos trabalhadores, aproveitando a onda de protestos que vêm pedindo qualidade no transporte público e contrários ao aumento das tarifas.
Na pauta das centrais estão o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas e combater o projeto de lei que permite ampliar a terceirização - interpretado como uma forma de precarizar as relações do trabalho.
Também estão em discussão dois outros pontos: o direito de greve dos servidores e o fim das demissões imotivadas para diminuir a rotatividade de empregos
. Essas duas últimas reivindicações se referem às convenções da OIT (Organização Internacional do Trabalho) 151 e 158.
A reunião durou cerca de duas horas e participaram dirigentes de cinco centrais reconhecidas pelo governo - Força, CUT, UGT, CTB e Nova Central-, além de CSP-Conlutas, CSB e CGTB. As três últimas não atingiram os critérios de representatividade do governo (regra exigida para dividir o imposto sindical obrigatório), mas participam de ações em conjunto no movimento sindical.
As centrais querem mais recursos em educação, saúde, transporte e segurança, além de reajuste das aposentadorias e debater com o governo federal a reforma agrária.
Apesar de inicialmente não haver consenso em incluir o combate à inflação como tema da pauta do protesto do dia 11, ela vai constar da manifestação.
Na próxima sexta-feira (dia 28), cada central deve sugerir locais de concentração em cada Estado para reunir os trabalhadores e que categorias que podem parar.
Segundo Ricardo Patah, presidente da UGT, as bandeiras levantadas pelos estudantes nas últimas manifestações são defendidas "há muito tempo pelas centrais e pelos movimentos sociais, mas por falta de diálogo com o governo não foi possível avançar nessas conquistas". Ele também afirmou que o movimento "espontâneo" das ruas "reflete o sentimento comum de toda a sociedade".
Antonio Neto, que comanda a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), tem a mesma opinião. O sindicalista diz que, apesar de o governo ter desonerado da folha de pagamento, ter cortado o custo de energia elétrica e ter acabado com a CPMF, "ninguém aguenta mais". "A classe média tem tratamento pior nos planos que paga do que o do SUS. O transporte é de má qualidade. Por isso as pessoas estão se mobilizando, indo para a rua. É uma basta geral, vindo das ruas."
José Maria de Almeida, da CSP-Conlutas, afirma que as manifestações que estão marcadas para quarta (dia 26) e quinta-feira (27) em regiões em que os sindicatos de trabalhadores são ligados à central, caso dos metalúrgicos de São José dos Campos (interior de SP), estão mantidas. "É uma preparação para esquentar os motores para o dia 11."
MOVIMENTOS DISTINTOS
As manifestações das centrais não são vinculadas à greve geral que está sendo marcada pelas redes sociais para o dia 1º de julho. As entidades sindicais ressaltam que não há qualquer ligação de seus protestos com atos como os que estão sendo divulgados nas redes sociais.
Em nota em seu site, a CUT informa que "as centrais sindicais, legítimas representantes da classe trabalhadora, não convocaram greve geral para o dia 1º de julho". E ressalta que a convocação para uma "suposta greve geral, que surgiu em uma página anônima do Facebook, é mais uma iniciativa de grupos oportunistas, sem compromisso com os trabalhadores, que querem confundir e gerar insegurança na população". E "colocar em risco conquistas que lutamos muito para conseguir, como o direito de livre manifestação".
PARALISAÇÃO DAS CENTRAIS
Quando: 11 de julho
Onde: em todo o país
O que farão: greves, paralisações e protestos de rua em todos os Estados
Quem organiza: cinco centrais que atingiram critérios de representatividade do governo - CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central - e as que ainda não atingiram - CSP -Conlutas, CSB (Central Sindical Brasileira) e CGTB, além de movimentos sociais como o MST
Quem deve participar: metalúrgicos, químicos, comerciários, rurais, trabalhadores da alimentação, operários da construção civil, costureiras, empregados do setor de asseio e conservação, padeiros, motoboys, servidores, entre outros.
O que será tema do encontro com a presidente Dilma Rousseff:
- fim do fator previdenciário
- contra o projeto de Lei 4.330, que amplia a terceirização
- redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário
- reajuste das aposentadorias
- fim dos leilões de reservas de petróleo
- redução de tarifa e transporte coletivo de qualidade
- mais investimentos em saúde, educação e segurança
- reforma agrária
Fonte: centrais sindicais
Folha- http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/06/1300949-centrais-sindicais-fazem-paralizacao-conjunta-no-dia-11-de-julho.shtml

Bomba! O mensalão da Globo!

O Cafezinho acaba de ter acesso a uma investigação da Receita Federal sobre uma sonegação milionária da Rede Globo. Trata-se de um processo concluído em 2006, que resultou num auto de infração assinado pela Delegacia da Receita Federal referente à sonegação de R$ 183,14 milhões, em valores não atualizados. Somando juros e multa, já definidos pelo fisco, o valor que a Globo devia ao contribuinte brasileiro em 2006 sobe a R$ 615 milhões. Alguém calcule o quanto isso dá hoje.
A fraude da Globo se deu durante o governo Fernando Henrique Cardoso, numa operação tipicamente tucana, com uso de paraíso fiscal. A emissora disfarçou a compra dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 como investimentos em participação societária no exterior.  O réu do processo é o cidadão José Roberto Marinho, CPF número 374.224.487-68, proprietário da empresa acusada de sonegação.
Esconder dólares na cueca é coisa de petista aloprado. Se não há provas para o mensalão petista, ou antes, se há provas que o dinheiro da Visanet foi licitamente usado em publicidade, o mensalão da Globo é generoso em documentos que provam sua existência. Mais especificamente, 12 documentos, todos mostrados ao fim do post. Uso o termo mensalão porque a Globo também cultiva seu lobby no congresso. Também usa dinheiro e influência para aprovar ou bloquear leis. O processo correu até o momento em segredo de justiça, já que, no Brasil, apenas documentos relativos a petistas são alvo de vazamento. Tudo que se relaciona à Globo, à Dantas, ao PSDB, permanece quase sempre sob sete chaves. Mesmo quando vem à tôna, a operação para abafar as investigações sempre é bem sucedida. Vide a inércia da Procuradoria em investigar a privataria tucana, e do STF em levar adiante o julgamento do mensalão “mineiro”.
Pedimos encarecidamente ao Ministério Publico, mais que nunca empoderado pelas manifestações de rua, que investigue a sonegação da Globo, exija o ressarcimento dos cofres públicos e peça a condenação dos responsáveis.
O sindicato nacional dos auditores fiscais estima que a sonegação no Brasil totaliza mais de R$ 400 bilhões. Deste total, as organizações Globo respondem por um percentual significativo.
A informação reforça a ideia de que o plebiscito que governo e congresso enviarão ao povo deve incluir a democratização da mídia. O Brasil não pode continuar refém de um monopólio que não contente em lesar o povo sonegando e manipulando informações, também o rouba na forma de crimes contra o fisco.